top of page
Buscar

Vergonha nacional

Brito
há 10 horas
4 min de leitura

A fuga sorrateira do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos passa à história como um dos capítulos mais vergonhosos da história nacional republicana. Ele desrespeitou não apenas a ordem judicial para entregar seus passaportes, 59 milhões de brasileiros que saíram de casa para votar nele.


Ao publicar, na chegada ao autoproclamado “exílio” nos Estados Unidos, uma carta contestando o resultado da eleição e se proclamando “presidente eleito” do Brasil (ou “líder”, numa versão corrigida), deu prova não apenas de desconexão absoluta da realidade, mas do mesmo DNA golpista que levou à cadeia seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tramar uma insurreição depois de perder a eleição de 2022.


As instituições brasileiras voltaram a dar demonstração de força quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, confirmou o resultado das urnas. O próprio partido de Flávio, o PL, reconheceu a derrota, bem como União Brasil, PP e legendas de sua coalizão. Foram declarações oportunas, mas felizmente nem teriam sido necessárias.


Desta vez, não há multidões acampadas diante de quartéis, nem uma conspiração em curso. A carta de Flávio, em cuja primeira versão até o nome e o brasão da República estavam errados, caiu no ridículo. Sua atitude foi rechaçada pelos próprios aliados, perplexos diante da mistura de covardia, prepotência e parvoíce. De modo rude, o pastor Silas Malafaia classificou os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos”.


“Faz carta, fala bobagem depois corrige”, disse a seguidores. Com sensatez, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tentou se afastar do bolsonarismo: “O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel”, disse.


Trapalhão – Em sua carta, Flávio deixou claro que não está à altura de liderar essa oposição. No texto, ele tem o desplante de se comparar a lideranças históricas levadas ao exílio por necessidade. “Charles de Gaulle liderou a França a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy”, escreveu. “José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista”. Que ridículo!


Acusações graves – Contra nenhum desses personagens, contudo, havia acusações remotamente próximas às que pesam contra Flávio. Ele é investigado em dois inquéritos no Supremo. O primeiro apura o destino do dinheiro que pediu a Daniel Vorcaro, artífice da maior fraude bancária da História brasileira, alegadamente para financiar um filme sobre seu pai. O segundo, aquele que levou a Polícia Federal a pedir recolhimento de seus passaportes, deslinda seu envolvimento no esquema de lavagem de R$ 5 bilhões em dinheiro de apostas que levou ao pedido de prisão contra seu amigo Willer Tomaz, advogado foragido na mesma Miami onde Flávio pousou com a família.


E ainda por cima mente – O roteiro mirabolante de seu trajeto até lá – com manobras de despiste, a declaração mentirosa de que entregaria os passaportes, a cooperação de aliados do argentino Javier Milei e a promessa de visto do governo Donald Trump – supõe planejamento prévio. Não apenas havia risco de fuga, como afirma a ordem judicial; a fuga de fato ocorreu. Para o Brasil, o melhor a esperar do episódio é que resulte numa oposição mais madura e mais democrática do que o patético bolsonarismo.


Trump ajudou e protegeu – A fuga se deu com ajuda de Donald Trump, de acordo com o The New York Times. Segundo a publicação, o jato usado pelo ex-candidato e sua família foi providenciado por um funcionário da Casa Branca. Flávio voou na noite de terça-feira da Argentina para o Equador para reabastecimento e, em seguida, viajou para Miami. O uso da aeronave particular foi organizado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca, informou o jornal americano. O plano de fuga foi posto em prática na segunda-feira, depois que Flávio foi informado de que deveria entregar seus passaportes. A medida cautelar havia sido dada na véspera pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o NYT, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller assim que o irmão foi intimado a entregar os documentos.


Alcolumbre já tem adversário – O PL marcou uma reunião para a próxima quarta-feira com parlamentares em exercício e eleitos para definir a posição da sigla sobre a disputa dos comandos das Casas legislativas. O plano é lançar, no mesmo dia, Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à Presidência do Senado. O senador deve disputar o posto com o atual presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que já se articula para se manter no cargo. O senador tem usado a oferta de gabinetes para atrair apoio de parlamentares e já acenou com a possibilidade de discutir o indulto a Jair Bolsonaro, como informou o jornal O Globo.


CURTAS


ÁGUA FRIA – O lançamento da candidatura de Marinho seria uma maneira de abastecer a tropa bolsonarista, que tomou um banho de água fria com a fuga de Flávio para os EUA. Como há 54 senadores de direita, o senador potiguar tem chances de derrotar Alcolumbre.


FORA DO BLOCO – A bancada do PT na Câmara pediu a Hugo Motta (Republicanos-PB) que o PL fique fora do bloco partidário que apoia a recondução do parlamentar à frente da Câmara, num movimento para isolar o partido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A iniciativa ocorre após o crescimento expressivo da legenda no Congresso, que terá a maior bancada na Câmara (121 deputados) e no Senado (28 senadores).


ABRIU O JOGO – O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu, ontem, em entrevista ao Estadão, disputar a sucessão de Lula em 2030. “A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou terminar o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade (de disputar a Presidência). Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, afirmou.


Perguntar não ofende: A proteção americana impede a prisão de Flávio fujão?


Fonte : Blog do Magno Martins.

 
 
 

Comentários


Brito

São Lourenço da Mata - PE

©2024 por Brito. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page