TCE-PE acerta ao interiorizar o controle e institucionalizar a escuta como método

Ao lançar o programa Fala, Gestor, o Tribunal de Contas de Pernambuco estabelece um novo marco em sua relação com as administrações municipais: o da escuta ativa como ferramenta institucional de fiscalização. Trata-se de uma iniciativa que extrapola o caráter pedagógico e alcança o campo da eficácia. O TCE decide sair da sede e ir até os municípios, para ouvir diretamente de quem governa os desafios, limites e escolhas que marcam a rotina da gestão pública.
A interiorização do controle, nesse formato, representa mais do que um gesto de aproximação. É a incorporação de um método técnico: deslocar a estrutura da Corte de Contas até os territórios para qualificar o julgamento dos atos administrativos. Isso responde a uma demanda já reconhecida por normas como a LINDB, que orienta os órgãos de controle a considerar, em suas análises, as dificuldades reais enfrentadas pelos gestores. Ouvir, portanto, é etapa essencial do processo de auditoria.
O programa prevê encontros regionais nas sedes das Inspetorias, reunindo prefeitos e suas equipes para apresentar contextos locais. A segunda edição ocorreu ontem, em Garanhuns, e envolveu cidades do agreste meridional, como Pesqueira, Terezinha, Buíque e Venturosa.
Ao institucionalizar esse modelo de escuta, o TCE-PE não abre mão de sua responsabilidade fiscalizatória, mas aprimora os instrumentos com os quais exerce sua função. O controle se torna mais preciso, mais justo e mais conectado com os problemas concretos da gestão pública. É uma mudança de postura com efeitos práticos: melhora o diagnóstico, orienta melhor os gestores e eleva o nível do debate sobre o gasto público em Pernambuco.
Fonte: Blog FALAPE.



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