Ranking, investimentos plurianuais e contabilidade na era digital encerram Congresso de Contabilidade

Abrindo as plenárias deste último dia do III Congresso Nacional de Contabilidade Municipal, os convidados debateram sobre como os Municípios podem evoluir no Ranking Contábil-Fiscal. O evento é promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e reúne representantes contábeis de todo o país.
A membro do Comitê Permanente de Contabilidade Aplicada ao Setor Público do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Lucy Fátima, iniciou reforçando que o ranking é um instrumento de boa governança e indicador de desempenho, sendo uma ferramenta importante, inclusive para auditoria. “A contabilidade trabalha com a informação das áreas, não tem informação pronta. É muito importante sensibilizar o gestor, e um aspecto é o político. Em que medida que a contabilidade conhece a sistemática do ranking? Eu vou planejar as políticas, a atuação da contabilidade e eu tenho que tomar decisões para melhorar no ranking”, completou.
Entre as dicas aos gestores para melhorar a posição do Município no ranking, o membro do Conselho Nacional de Contabilidade Municipal, Clistenes Calheiros, ressaltou que a matriz é uma informação agregada e o contador do Executivo é um consolidador do Ente. “Você precisa verificar o que os outros Poderes estão fazendo, porque, se ele falhar, a falha é do Ente. Por isso é importante observar o que ele está fazendo”, disse.
Finalizando o painel, a assessora técnica de controle interno, Analice Horta, lembrou que o papel do controle interno para o ranking é importante. “O controle interno não pode ser só instituído. Ele tem que ser funcional. Além de utilizar as informações do ranking para uma tomada de decisão, ainda pode ajudar na tempestividade das informações e na própria legalidade das informações. O que vai ajudar também a subir no ranking”, finalizou.
Investimentos Plurianuais e o papel da contabilidade pública
O segundo painel trouxe uma explicação sobre os investimentos plurianuais e o papel da contabilidade pública. Ao iniciar a explicação, o professor doutor em ciências contábeis e auditor fiscal Giovanni Pacelli ressaltou que, nos últimos 20 anos, houve uma queda de 46% de investimentos no Produto Interno Brunto (PIB), por conta das despesas obrigatórias, que chegam a 95% do orçamento dos Municípios. “Investimento é quase um luxo hoje. Nós temos de assessorar corretamente para fazer valer a pena, porque já temos pouco. Entre as dicas, aplicar o artigo 45 da LRF, que diz: se vai começar algo novo, você tem de garantir que tem a despesa para fazer a manutenção do que já tem. Segundo ponto: terminar o que está em andamento. E uma planilha excel resolve com o inventário do que você tem em andamento. O ideal é ter um sistema, mas, se você não tem, uma planilha resolve”, apontou.
Ao complementar a fala, a contadora pública do Município de Hulha Negra (RS) e membro do Conselho Nacional de Contabilidade Municipal, Ana Lídia Munhós, enalteceu a importância de fazer o registro e ter essas informações. “Estamos elaborando PPA [Plano Plurianual], LDO ]Lei de Diretrizes Orçamentárias], orçamento. Tendo estes registros, conseguimos dizer ao nosso gestor que temos coisas a fazer, obras que precisam de atenção. Se a gente fizer os registros na contabilidade, pegar o setor de engenharia e projetos, fazer tudo certo, podemos alertar, entregar um relatório e mostrar as pendências ao gestor, mostrando que, se for começar obras novas, terão problemas novos”, finalizou.
Contabilidade na era digital
Finalizando a programação, o III Congresso Nacional de Contabilidade Municipal abordou a temática O futuro da Contabilidade Pública Municipal na Era Digital: Desafios e oportunidades. Na oportunidade, o contador geral do Estado do Rio Grande do Norte, Flavio Rocha, ressaltou que este é o momento do profissional se capacitar e aprender. “A contabilidade da era moderna não serve apenas para prestar contas. A gente auxilia diretamente a gestão. Mostre a cara, esteja sempre motivado. Não tenho nem espaço para desmotivar”, disse.
Ao complementar, a contadora do Município de Manaus (AM) e membro do Conselho Nacional de Contabilidade Municipal, Suani Braga, trouxe as cinco competências importantes para o contador. “A primeira é a tecnológica, já que é importante ter domínio sobre a ferramenta. Por isso, solicite todos os cursos que vocês puderem. Outra é a analítica, ou seja, analisar e interpretar dados. Seguindo, vem a comunicação, já que o contador precisa transformar todos os dados em comunicação para o cidadão. Ressalto também ética e integridade com transparência e uma correta informação. Por fim, a visão estratégica, já que você está prestando serviço para a sua gestão”, finalizou.
Participou também do III Congresso Nacional de Contabilidade Municipal a economista da área de Obras e Transferências Voluntárias da CNM, Alessandra Ferreira, quando fez alertas importantes sobre as emendas parlamentares no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
No encerramento do evento, os analistas técnicos em Contabilidade da CNM, Marcus Santos e Sandoval Neto, que coordenaram o Congresso, agradeceram a participação dos contadores. “Foram três dias de debates intensos, 900 inscritos, número recorde que demonstra a força e a relevância deste espaço e com programação de altíssimo nível capaz de transformar a prática da contabilidade pública nos Municípios. O Congresso reafirma o papel estratégico da CNM em fortalecer o municipalismo e consolidar a contabilidade como ferramenta para boa gestão, a transparência e a eficiência do gasto público”, ressaltou Santos.
Por: Lívia VillelaFonte: Da Agência CNM de Notícias



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