RADAR POLÍTICO – Dá para confiar em Lupi?
- Brito
- há 12 horas
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ESCRITO POR WELLINGTON RIBEIRO – BLOG PONTO DE VISTA
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), comandado com mão de ferro por Carlos Lupi, acumula episódios que o levaram a um crescente descrédito na política pernambucana. O ambiente de instabilidade na sigla, no estado, é visto com desconfiança pelo meio político.
Afinal, quem se filia ao partido não tem garantia de que poderá definir seus próprios rumos em Pernambuco as decisões passam, invariavelmente, pelo crivo nacional.
O histórico recente reforça essa percepção. Em 2014, mesmo presidindo o partido no estado, Zé Queiroz não teve força para conduzir o apoio à candidatura de Paulo Câmara ao Governo. Lupi interveio e decidiu pelo apoio a Armando Monteiro, indicando, inclusive, o nome para a vice.
Em 2018, repetiu-se o roteiro: aliado de Paulo Câmara, que disputava a reeleição, Zé Queiroz teve de engolir a decisão nacional de apoiar Maurício Rands ao Palácio do Campo das Princesas.
Já em 2020, mesmo sendo deputado federal pelo PDT e articulando sua pré-candidatura à Prefeitura do Recife, Túlio Gadêlha viu seu projeto ser sepultado por Lupi, que optou por indicar Isabella de Roldão como vice na chapa de João Campos.
O episódio mais recente ocorreu em Araripina, em 2024. O então prefeito Raimundo Pimentel, orientado pela governadora Raquel Lyra, articulou a filiação de sua candidata à sucessão, Ana Paula Ramos, ao PDT. No entanto, Lupi transferiu o comando municipal do partido ao vice-prefeito Evilásio Mateus, que, contrariando Pimentel, disputou e venceu a eleição.
Agora, mirando 2026, Lupi volta à cena para negociar os rumos da sigla em Pernambuco. Em entrevista à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, afirmou que o caminho mais provável é o apoio a João Campos para o Governo do Estado. Contudo, impôs como condição a indicação de uma das vagas ao Senado. Disse, inclusive, estar em conversas com Marília Arraes para que ela se filie ao partido com esse objetivo.
No seu estilo característico, Lupi foi além: declarou que, caso não obtenha a vaga na chapa de João, poderá negociar com Raquel Lyra. “Se ela (Marília) está vindo para o partido para concorrer ao Senado, preciso de uma composição que garanta isso. Por isso podemos evoluir para o apoio a Raquel. Não é a hipótese favorita, mas pode acontecer.” A fala revela mais do que estratégia: expõe uma lógica de barganha que reforça a percepção de volatilidade e oportunismo.
Sem candidatura própria à Presidência da República, resistindo à formação de federação partidária e sob risco de não superar a cláusula de barreira, o PDT enfrenta um horizonte desafiador. A eleição de 2026 pode representar, para Lupi, uma tentativa de sobrevivência política da sigla.
Em Pernambuco, porém, diante de um histórico marcado por intervenções e reviravoltas, o discurso do comando nacional já não encontra a mesma credibilidade. Estar PDT pode ser entendido como ser conivente ou vítima.
PRO ATAQUE – O presidente estadual do Partido Liberal (PL), Anderson Ferreira, subiu o tom contra o ex-correligionário Gilson Machado Neto. “Não dá para ser sanfoneiro que nunca foi político vir dar pitaco no que não conhece”, disparou. Anderson ainda afirmou que Gilson mais atrapalhava do que ajudava os planos do partido em Pernambuco, deixando claro que a ruptura está longe de ser amistosa.
CONCORRÊNCIA – Com um número expressivo de pré-candidaturas a deputado estadual no Litoral Norte, a avaliação é de que quem quiser ter êxito precisará buscar votos além das bases tradicionais. Na região, além dos atuais deputados Júnior Matuto e Mário Ricardo, disputam espaço César Ramos, Rebeca Lucena, Zé de Irmã Teca, Amanda Ramos, Felipe do Veneza, Flávio Gadelha Filho e Júnior do Habitat. A pulverização de candidaturas deve tornar a corrida ainda mais acirrada.
ESCALADO – O deputado estadual Wanderson Florêncio (SD) foi escalado pelo governo Raquel Lyra para rebater críticas do deputado Romero Albuquerque (UB). Wanderson, que antes se apresentava como defensor da Causa Animal, criticou Romero por se posicionar contra a vaquejada marcada para a Arena Pernambuco, evento que conta com apoio do Estado. Com uma reeleição ameaçada, não tem restado outra coisa a Wanderson senão se submeter ao Palácio, mesmo que isso vá de encontro a Causa Animal.
EM ALTA – O casamento de João Campos e Tabata Amaral reuniu nomes de peso da política e do meio jurídico de Pernambuco e do país. A cerimônia evidenciou o prestígio do casal e ganhou repercussão nacional, consolidando o evento como um dos mais comentados do ano no meio político.
EM BAIXA – A prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), enfrenta críticas crescentes da população e de lideranças políticas. Infraestrutura precária, problemas na saúde e falhas na coleta de lixo estão entre os principais pontos de insatisfação. Caso o cenário persista, Mirella pode encontrar dificuldades para transferir capital político à governadora Raquel Lyra e aos pré-candidatos Daniel Coelho (federal) e Lupércio (estadual).
ALGUÉM RESPONDE? – Qual será a definição que o PP de Eduardo da Fonte tomará nesta segunda-feira?
Fonte: Blog Ponto de Vista.



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