PSOL-PE anuncia apoio a ato contra violência policial no RJ e critica modelo de segurança em Pernambuco

O diretório pernambucano do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-PE) anunciou apoio ao ato “Pernambuco na luta contra a violência genocida do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil”, que será realizado nesta quinta-feira (31), às 16h, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife.
O protesto, convocado pela Coalizão Negra por Direitos e pela Articulação Negra de Pernambuco (ANEPE), é uma reação à operação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos, segundo dados oficiais. A manifestação também denuncia o avanço da violência policial em todo o país e, especialmente, em Pernambuco.
Em comunicado oficial, o PSOL-PE declarou que a sigla “repudia as políticas de extermínio e reafirma seu compromisso com a luta antirracista e em defesa dos direitos humanos”. O partido defendeu ainda a necessidade de um novo modelo de segurança pública, “baseado na vida, na justiça e na dignidade de todas as pessoas”.
O texto também traz críticas diretas à política de segurança do governo Raquel Lyra (PSD). Segundo o partido, o programa “Juntos pela Segurança”, que aumentou o policiamento ostensivo nas ruas, “precisa responder à sociedade: de que lado está? Porque do lado da população negra e pobre, evidentemente, não está.”
Denúncias de violência após a chegada dos “laranjinhas”
O PSOL-PE destacou preocupação com a atuação dos chamados “laranjinhas” — novos agentes de rua que começaram a circular pelo Grande Recife há pouco meses, após concluírem curso de formação da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE).
Vale destacar que desde a implantação do novo efetivo, diversas denúncias de abordagens violentas foram registradas nas redes sociais. Um dos casos mais ocorreu no bairro de Santo Amaro, na Zona Norte do Recife, onde imagens mostraram dois policiais agredindo um homem desarmado durante uma abordagem. O vídeo viralizou e gerou forte repercussão, levando a PMPE a anunciar a abertura de investigação interna sobre o caso.
Contexto e dados
Além disso, o comunicado da ANEPE e de outras organizações sociais — que conta com a adesão do PSOL-PE — cita dados do Instituto Fogo Cruzado, apontando que nove pessoas foram vítimas de balas perdidas na Região Metropolitana do Recife (RMR) apenas em julho de 2025, um aumento de 350% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O levantamento também revela que 101 adolescentes entre 12 e 17 anos foram baleados na região desde o início do ano, com 72 mortes confirmadas. Ao menos 15 crianças também foram atingidas por tiros no mesmo período.
As entidades afirmam que esses números refletem uma política de segurança “baseada na repressão, no terror e no extermínio da população negra e periférica”.
Convocação ao público
O partido afirmou ainda que estará nas ruas junto a movimentos negros, feministas e de juventude, defendendo “vida, justiça e liberdade”. O partido também destacou a participação da Setorial de Mulheres do PSOL-PE, que se unirá às lideranças e organizações na mobilização.
O comunicado convoca a população a participar do ato, reforçando que “é hora de transformar a indignação em ação coletiva”.
“Não aceitaremos a naturalização da morte, nem a militarização dos territórios periféricos. Pernambuco vai às ruas contra a violência genocida e por uma segurança pública que proteja o povo — e não o mate”, conclui a nota.
Fonte: LeiaJa.



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