O desafio de Raquel depois do apoio de Lula a João
- Brito
- há 9 horas
- 4 min de leitura

A confirmação do apoio do presidente Lula (PT) ao pré-candidato do PSB, João Campos, cria um desafio político de grande dimensão para a governadora Raquel Lyra (PSD). Não se trata apenas do posicionamento de uma liderança nacional ou de uma aliança partidária. Trata-se do presidente que, há mais de três décadas, construiu em Pernambuco uma relação política, afetiva e eleitoral sem paralelo na história recente do Estado.
Nas eleições de 2022, Lula recebeu 65,27% dos votos válidos no primeiro turno e ampliou sua votação para 66,93% no segundo turno, demonstrando uma força eleitoral que atravessa gerações e regiões do Estado. Por essa razão, qualquer tentativa de minimizar ou desconstruir o apoio do presidente tende a encontrar um obstáculo evidente: Lula não é apenas um cabo eleitoral.
Em Pernambuco, ele é um ativo político consolidado. Sua trajetória se mistura com a memória de grandes ciclos de investimentos federais, programas sociais e obras estruturadoras que marcaram a vida de milhões de pernambucanos. O eleitorado local historicamente separa a avaliação dos governos da figura de Lula, preservando um capital político que segue relevante mesmo diante das oscilações naturais de popularidade observadas em diferentes momentos.
A dificuldade para a ocupante do Palácio do Campo das Princesas aumenta porque o apoio presidencial chega acompanhado de uma narrativa política coerente. Lula não apenas declarou preferência. Ele escolheu um lado na disputa estadual e o vinculou a uma relação histórica construída com Miguel Arraes, Eduardo Campos e, agora, João Campos.
Isso reduz o espaço para interpretações ambíguas sobre um eventual palanque dividido e reforça a percepção de que o projeto liderado por João representa, aos olhos do presidente, a continuidade de uma parceria política de longa duração. Além disso, a estratégia de relativizar a influência de Lula esbarra nos números.
Poucos líderes nacionais conseguiram, ao longo das últimas quatro décadas, manter tamanha capacidade de transferência política em Pernambuco. Em um Estado onde o presidente venceu sucessivas eleições presidenciais com margens amplas, o apoio explícito tende a funcionar como um elemento de consolidação para uma parcela importante do eleitorado, especialmente entre os segmentos populares do interior e da Região Metropolitana.
Por isso, o desafio de Raquel Lyra não será apenas enfrentar João Campos. Será convencer o eleitor pernambucano de que o apoio do maior eleitor do Estado nas últimas décadas tem pouco peso em uma eleição para governador. Historicamente, essa é uma tarefa que nenhum adversário de Lula conseguiu executar com facilidade em Pernambuco.
DOIS PARTIDOS – No artigo “O que está acontecendo hoje no Brasil”, publicado na mídia nacional e reproduzido neste blog, o deputado Luciano Bivar faz uma advertência: diz ter conhecimento de que dois presidentes de partidos se aliaram para formar uma quadrilha com a finalidade de extorquir ou devorar como tubarões quem quer que eles precisem. “Ressalvo partidos de forte formação orgânica e ideológica que, embora integrem o jogo do sistema, não compactuam com tais distorções”, escreveu.
Ciro e Rueda? – A quem Bivar se refere? A Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil, citados no escândalo Master? Provavelmente, porque, na proposta de delação premiada em que relata o suposto pagamento de propina ao grupo político do ex-governador do Rio, Cláudio Castro, Daniel Vorcaro cita outra liderança política, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. E Ciro já foi citado várias vezes por Vorcaro. O banqueiro aponta Rueda como o nome que resolvia questões ligadas ao Rioprevidência, fundo responsável pelos pagamentos de aposentadorias e pensões de servidores do governo fluminense.
Presidente do UB indicou diretoria – Segundo a Polícia Federal, o governador do Rio operou politicamente para viabilizar transferências suspeitas do Rioprevidência para o Banco Master no montante de quase R$ 3,7 bilhões. Na citação, Vorcaro diz que detalhará a atuação de Rueda em outro anexo. O banqueiro aponta o presidente do União Brasil como um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, segundo o jornal O Globo. O ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, disse à PF que a proposta de investir R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master foi feita pelo então diretor de investimentos do Rioprevidência, Euchério Lerner Rodrigues. A indicação de Rodrigues é atribuída a Rueda. Procurado, Rueda não retornou aos contatos da reportagem de O Globo.
Foi para cima sem medo – O presidente Lula mostrou, ontem, que não teme o poder do presidente americano Donald Trump. Em tom de advertência, pediu para não se meter nas eleições do Brasil em outubro, nas quais buscará a reeleição. “Trump tem direito de ter as preferências eleitorais dele, mas as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse Lula em Genebra, após participar como convidado da Cúpula do G-7, na França.
Violência contra idosos dispara no Estado – As agressões contra idosos aumentaram em cifras recordes no Estado: 513% entre 2014 e 2024, segundo o Atlas da Violência. O percentual é superior ao crescimento nacional no mesmo período, que foi de 226,3%. Os dados são usados durante campanhas do Junho Violeta, que visa conscientizar a população e combater a violência contra a pessoa idosa. Segundo o levantamento, Pernambuco registrou 351 notificações em 2014 e, em 2024, esse número chegou a 2.152 casos. O Estado ocupa a oitava posição do país em números absolutos de notificações, atrás apenas de unidades federativas mais populosas, como São Paulo (7.328), Paraná (3.418), Rio de Janeiro (3.267) e Minas Gerais (2.674).
CURTAS
ACIMA DA MÉDIA – Quando analisada a taxa por 100 mil habitantes, indicador que permite comparações mais precisas entre estados com populações diferentes, Pernambuco registrou 151,4 notificações para cada 100 mil habitantes em 2024. O índice é 71% superior à média brasileira, que ficou em 88,4 casos por 100 mil habitantes.
QUINTO LUGAR – Em 2024, Pernambuco apresentou a quinta maior taxa de notificações de violência interpessoal contra idosos entre as unidades da federação. Ficou atrás apenas de Mato Grosso do Sul (310,5), Tocantins (202,5), Paraná (172,1) e Espírito Santo (159,9). Em 2014, a taxa estadual era de 33 notificações por 100 mil habitantes.
ADVOCACIA PRIVADA – A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou ontem a redação final de um projeto de lei que permite que advogados da União e procuradores federais, da Fazenda e do Banco Central exerçam a advocacia privada. O texto libera que carreiras jurídicas federais possam atuar em escritórios, desde que fora de suas atribuições no serviço público.
Perguntar não ofende: Lula deixou Raquel à vontade para declarar apoio a Caiado, candidato a presidente pelo partido dela, o PSD?
Fonte: Blog do Magno Martins.



Comentários