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O peso da conjuntura municipal na corrida às urnas

  • Brito
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

 

A corrida pelo Palácio das Princesas ganha contornos importantes no território municipalista. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), pré-candidata natural à reeleição, larga com vantagem estrutural: conta com o apoio de, pelo menos, 140 dos 184 prefeitos do estado. Do outro lado, sem mandato, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato João Campos (PSB) costura alianças com blocos de oposição para fincar bases nas diversas regiões.


A governadora tem aproveitado o período junino e as entregas administrativas para consolidar sua legião de prefeitos. Em agendas ontem e anteontem no Sertão - que incluíram passagens por Salgueiro, Cabrobó, Orocó e Bodocó - esteve cercada por prefeitos aliados.


Mesmo em redutos divididos, como em Araripina - onde o prefeito Evilásio Mateus (PDT) já acenou a João Campos- a gestora demonstra força porque o gestor é alinhado a líderes políticos que estão no seu palanque: o ex-prefeito Miguel Coelho (UB), o deputado Fernando Filho (UB) e o senador Fernando Dueire (PSD). Em seus discursos, Raquel tem um mantra que virou marca na relação com os municípios: “Eu já estive sentada na cadeira de prefeita e sei exatamente quais são as dores, as angústias e os desafios que cada um de vocês. O governo está de portas abertas para trabalhar com todos os municípios, sem distinção de cor ou de bandeira partidária.”


Oposição

Diante do cerco governista, João Campos foca nas dissidências e nos líderes sem caneta, mas com densidade eleitoral. Nos últimos dias, colheu apoios em Belém de Maria, São Joaquim do Monte e Gameleira. O movimento mais emblemático ocorreu em Arcoverde, considerada a Porta do Sertão, com o lançamento da Frente das Oposições.


Uniu correntes locais historicamente divergentes, incluindo o presidente da Câmara, vereador Luciano Pacheco - que rompeu com o prefeito Zeca Cavalcanti (aliado da governadora) após sofrer tentativas de cassação - e os ex-prefeitos Madalena Britto, Erivânia Camelo, Rosa Barros e Julião Guerra.


Em Arcoverde, João Campos ditou o ritmo da pré-campanha: “Essa caminhada vai ser travada nas ruas, conversando, escutando para entender onde está doendo, onde o sapato aperta. A gente não vai deixar Pernambuco ficar parado, olhando da arquibancada e vendo que, quando tem um gol, não é a favor do nosso estado”, bateu.


Os líderes endossaram o discurso. Luciano Pacheco classificou o ato como uma “lavada no peito”. Madalena Britto relembrou a histórica parceria com o ex-governador Eduardo Campos, assegurando que Arcoverde repetirá o gesto com João Campos, enquanto Erivânia Camelo destacou que o bloco deixou as diferenças de lado para priorizar “o futuro e a esperança”.


Municípios

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) e prefeito de Aliança, Pedro Freitas, sintetiza o dilema vivido pelos gestores. No campo institucional, Freitas blinda a associação de disputas partidárias. No campo pessoal, defende a reeleição da governadora.


Explica fazer um esforço para não deixar a discussão eleitoral entrar na Amupe. “No grupo de WhatsApp (que reúne os 184 prefeitos), quando um coloca uma manchete de Raquel e outro coloca uma de João, eu apago as duas. Peço para limitarmos as discussões ao institucional e, graças a Deus, tem funcionado. Na Amupe não discuto eleição, dou tratamento igual a todo mundo.”


Mas, como prefeito de Aliança, tem postura clara: “A governadora merece um segundo mandato porque as políticas estão avançando. O sentimento comum é de que a relação dos prefeitos com o governo do estado é excelente”.


Vantagem

Para o cientista político e professor Felipe Ferreira Lima, a vantagem numérica de Raquel Lyra é real, mas não é estática. Ele explica que o apoio dos prefeitos garante uma largada confortável, principalmente em regiões onde os municípios dependem da máquina pública. Mas o histórico em Pernambuco mostra que o jogo pode virar.


Ele lembra que em 2006, Mendonça Filho tinha a máquina e apoio massivo, mas houve migração gradual de prefeitos para Eduardo Campos. E em 2022, Danilo Cabral contava com a estrutura de Paulo Câmara, mas a base de prefeitos desidratou durante a disputa. 


Sobre o movimento de João Campos, o professor aponta que buscar a oposição é óbvio, e acredita que a estratégia nos bastidores seja mais ambiciosa. “João Campos pode buscar os prefeitos insatisfeitos, mesmo os que declaram apoio à governadora. Mapear e farejar esse tipo de liderança é fundamental.”


Fonte : Blog da Folha de PE.

 
 
 

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Brito

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