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O assombro do palanque duplo

  • Brito
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Como cantava Raul Seixas, “eu vou desdizer tudo aquilo que eu lhe disse antes”. A frase parece se encaixar perfeitamente no episódio envolvendo os palanques de Lula em Pernambuco. A declaração do ministro e coordenador da campanha presidencial no Nordeste, Wellington Dias, afirmando que o presidente teria dois palanques no estado, caiu como uma bomba no núcleo político do PSB, que trata como ponto pacificado a aliança nacional com o PT.


A reação veio rápida. Horas depois, ao Blog, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, desautorizou a leitura feita por Wellington e reafirmou que o palanque do partido em Pernambuco é o de João Campos. O mesmo discurso foi reforçado pelo presidente estadual petista, Carlos Veras.


O episódio deixa uma lição importante para quem acompanha a política nacional. O PT é uma instância. Lula é outra. O partido tem compromissos estratégicos com o PSB em diversos estados e precisa preservar essa relação. Já Lula, candidato à reeleição, trabalha com uma lógica mais ampla e busca dialogar com todos os campos políticos que possam contribuir para sua vitória.


Traduzindo: o que está acordado entre PT e PSB é uma coisa. O que passa pela cabeça de Lula pode ser outra. E, em uma eleição presidencial, muitas vezes o pragmatismo do candidato fala mais alto do que as resoluções partidárias. Pernambuco acaba de receber mais uma demonstração prática dessa diferença.


O ASSOMBRO DO PASSADO — A preocupação de aliados de João Campos com a possibilidade de Lula manter pontes com outros campos políticos não é exatamente uma novidade. Seus atuais companheiros de chapa, Marília Arraes e Humberto Costa, já viveram situação semelhante. Em 2006, Humberto viu o então presidente Lula liberar pessoalmente sua imagem para a campanha de Eduardo Campos. Já Marília, anos depois, experimentou a dificuldade de contar com exclusividade do apoio presidencial, mesmo sendo a candidata formalmente apoiada pelo PT. Na política, a história ensina que Lula raramente fecha apenas uma porta.


EVITANDO RUÍDOS — Questionada sobre o voto  no presidente Lula após a repercussão da fala do ministro Wellington Dias, a governadora Raquel Lyra desconversou e evitou cravar qualquer apoio. “Posso garantir que existe confiança de ambos os lados e que a gente tem trabalhado muito para fazer entregas ao povo”, afirmou. 


NOVO ENCONTRO — O deputado federal e presidente da Federação União Progressista em Pernambuco, Eduardo da Fonte, voltou a se reunir com a governadora Raquel Lyra. Oficialmente, o encontro tratou de temas administrativos e políticos. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que a montagem da chapa majoritária para 2026 ocupou boa parte da conversa. A definição da segunda vaga ao Senado segue sendo um dos principais assuntos da pré-campanha governista.


FRASE DO DIA: “Foi uma conversa muito boa, muito positiva”, disse o pré-candidato ao Senado e deputado Eduardo da Fonte, à coluna, após novo encontro com a governadora Raquel Lyra. 


RÁPIDAS 


ENCONTROU UMA BANDEIRA — O ex-prefeito de Vicência e pré-candidato a deputado federal, Guiga Nunes (PODEMOS), abraçou a pauta da duplicação da BR-408 até a divisa com a Paraíba. A proposta, que conta com o apoio do senador Fernando Dueire, deverá ser uma das marcas de sua pré-campanha.


ITAMARACÁ NÃO TEM SORTE — Entra prefeito, sai prefeito, e a sensação é que a Ilha de Itamaracá continua presa ao mesmo marasmo. Não fossem algumas intervenções do governo do estado, a impressão de muitos moradores é de que o município segue em ritmo de completa estagnação, sem conseguir explorar todo o seu potencial turístico e econômico.


PINGA-FOGO: João vai colocar todas as suas fichas em Lula mesmo ou tocará sua campanha sem o presidente?


Fonte : Blog do Elielson.

 
 
 

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Brito

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