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Nova Alepe fortalece Raquel Lyra e abre disputa pela presidência da Casa

Brito
há 4 horas
3 min de leitura

A composição eleita para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em 2026 deixou a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) em posição mais favorável para negociar a presidência da Casa e outros espaços de poder. Entre os nomes citados nas articulações estão os deputados estaduais reeleitos Antônio Moraes, Joãozinho Tenório e Débora Almeida, todos do PSD.


Os três têm proximidade com a governadora e podem entrar na discussão sobre a Mesa Diretora, a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça — conhecida como Comissão de Justiça — e a liderança do governo. A escolha ainda está em fase de articulação, sem definição anunciada.


O PSD elegeu nove deputados e dividiu com o PSB a maior bancada da próxima legislatura. Já os partidos que integraram a coligação de Raquel — PSD, PP, Podemos, União Brasil e Avante — elegeram 24 parlamentares. Com o Novo, que apoiou a reeleição da governadora, esse grupo chega a 25 cadeiras, número que representa a maioria absoluta da Casa. A composição, porém, não garante apoio automático de todos os deputados nas votações. 


A base governista poderá crescer para além desse grupo. Levantamento publicado pelo JC aponta que Raquel pode chegar a uma bancada de até 30 deputados, a depender de adesões e do posicionamento de parlamentares eleitos por partidos que apoiaram João Campos (PSB). Nesse cenário, a disputa pela Mesa Diretora será um dos primeiros testes da nova correlação de forças na Alepe. 


Antônio Moraes é apontado como um dos nomes de confiança da governadora. Joãozinho Tenório foi vice-líder do governo, enquanto Débora Almeida é considerada uma aliada próxima de Raquel. A distribuição dos cargos deve ser negociada entre a bancada governista e os demais grupos da Assembleia.


A articulação também terá de considerar o atual presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), reeleito para a próxima legislatura. Ex-aliado de Raquel, Porto rompeu politicamente com a governadora e passou a integrar o campo que apoiou João Campos. Ele esteve no centro de embates com o Executivo, especialmente em torno da tramitação de projetos e do orçamento estadual. 


Um dos principais pontos de atrito foi a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A divergência sobre a margem de remanejamento de recursos e o rito de análise prolongou a votação do orçamento, que só foi concluída em abril. Integrantes do governo acusaram a condução da Assembleia de atrasar a tramitação e limitar a capacidade de execução do Executivo. O impasse também envolveu ações da base governista, que em algumas sessões deixou o plenário sem quórum, e disputas sobre a validade dos vetos da governadora. 


As operações de crédito encaminhadas pelo governo também entraram no clima de tensão entre os Poderes. No início de 2026, projetos do Executivo foram enviados à Procuradoria da Alepe antes de seguir para análise das comissões, decisão criticada por governistas, que disseram que o procedimento poderia atrasar a votação. A oposição, por sua vez, contestava as prioridades do governo e a execução de empréstimos já autorizados. 


Porto também assinou pedido para instalar a CPI da Publicidade, destinada a investigar contratos de comunicação do governo estadual. A comissão chegou a ser instalada, mas sua composição foi contestada judicialmente após mudanças nas lideranças partidárias.


Decisões da Justiça restabeleceram lideranças governistas e a Alepe anulou a reunião de instalação, determinando que os partidos indicassem nova composição. O episódio alimentou críticas de aliados de Raquel, que viram na articulação uma tentativa de ampliar a pressão política sobre o Executivo. 


Pelo regimento da Alepe, a Mesa Diretora tem mandato de dois anos. A eleição para o primeiro biênio da legislatura está prevista para depois da posse dos deputados, em 1º de fevereiro de 2027. A votação é secreta e exige maioria absoluta no primeiro escrutínio. O regimento também impede que integrantes titulares da Mesa ocupem funções de liderança ou vice-liderança, salvo exceção para o único representante de um partido. Com isso, a escolha de um presidente entre Moraes, Tenório ou Almeida pode influenciar a definição de quem ficará com a liderança do governo e a presidência da Comissão de Justiça. 


Fonte : Blog do Mário Flávio.

 
 
 

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Brito

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