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A vitória da coerência de Marília Arraes

Brito
há 13 minutos
3 min de leitura

A eleição de Marília Arraes para o Senado Federal tem um significado político que vai muito além da conquista de um mandato de oito anos. Depois de duas derrotas em disputas majoritárias, ela alcançou finalmente sua primeira vitória nesse tipo de eleição e transformou perseverança em um dos principais símbolos de sua trajetória. O resultado representa a consolidação de uma liderança que atravessou mudanças partidárias, enfrentou reveses importantes e conseguiu preservar um patrimônio eleitoral próprio em Pernambuco.


Marília já havia chegado perto em outras oportunidades. Em 2020, disputou o segundo turno da Prefeitura do Recife contra João Campos. Dois anos depois, novamente avançou ao segundo turno, desta vez na eleição para o Governo de Pernambuco, quando enfrentou Raquel Lyra. Foram duas derrotas consecutivas em eleições majoritárias, mas também duas demonstrações de que possuía densidade eleitoral suficiente para permanecer entre os principais nomes da política pernambucana.


O caminho até o Senado, porém, talvez seja ainda mais relevante do que o resultado em si. Marília passou pelo PSB, pelo PT e pelo Solidariedade antes de chegar ao PDT. Em diferentes momentos, encontrou dificuldades justamente dentro do campo político com o qual sempre manteve maior identificação. Mesmo sem contar com o aval que desejava de seus antigos partidos, ela evitou transformar divergências locais em uma ruptura com o projeto político nacional que decidiu defender.


O exemplo mais evidente ocorreu em 2022. Marília deixou o PT para disputar o Governo de Pernambuco pelo Solidariedade, enquanto o partido seguia outro caminho na construção estadual. Ainda assim, manteve publicamente seu apoio a Lula. Poderia ter utilizado as divergências acumuladas como justificativa para uma mudança completa de campo político. Preferiu não fazê-lo.


Essa escolha teve custos. Marília precisou reconstruir seu espaço partidário, reorganizar alianças e atravessar períodos em que parecia politicamente distante das estruturas que tradicionalmente comandaram a esquerda pernambucana. Mas preservou uma característica fundamental para qualquer liderança que pretende sobreviver às mudanças de conjuntura: identidade política.


Foi essa identidade que permitiu sua reaproximação com a Frente Popular. Agora no PDT, Marília chegou à eleição para o Senado sem precisar renegar o caminho percorrido. Ao contrário, apresentou-se ao eleitorado como alguém que, apesar das divergências partidárias, permaneceu ligada ao presidente Lula e ao campo político no qual construiu parte importante de sua trajetória.


A vitória também encerra uma espécie de travessia política. Marília poderia ter saído enfraquecida da derrota de 2020. Poderia ter perdido protagonismo depois de 2022. Poderia ainda ter sido reduzida a uma liderança sem espaço partidário depois das sucessivas mudanças de legenda. O resultado das urnas mostrou que seu capital eleitoral sobreviveu a todas essas circunstâncias.


Existe, portanto, uma mensagem política relevante na chegada de Marília ao Senado. Partidos são fundamentais, alianças são determinantes e estruturas fazem diferença, mas algumas lideranças conseguem construir uma relação própria com parcelas expressivas do eleitorado. Marília demonstrou possuir esse ativo ao permanecer competitiva mesmo quando não estava abrigada nas principais estruturas do campo político com o qual se identifica.


Depois de tentar a Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco, Marília finalmente conquistou sua primeira vitória majoritária. Não chegou ao Senado por um caminho linear. Chegou depois de derrotas, mudanças partidárias, divergências e reconstruções.

A política costuma ser implacável com quem perde sucessivamente. Marília contrariou essa lógica. Caiu, permaneceu no jogo e voltou a disputar. No momento em que poderia ter escolhido a conveniência de uma mudança radical de posição, preservou sua identidade política.


Em 2026, as urnas lhe deram a resposta que havia faltado em 2020 e 2022. A perseverança finalmente encontrou a vitória.


Deflagrado – O processo eleitoral da mesa diretora da Alepe já foi deflagrado. Nomes como Débora Almeida, Jarbas Filho, Gustavo Gouveia, France Hacker, Aglaílson Victor, Joaquim Lira e Antônio Moraes já se movimentam dentro da Casa com vistas à presidência e à primeira-secretaria.


Recado – A governadora Raquel Lyra foi taxativa ao afirmar aos deputados que não aceitará nenhuma movimentação sem a orientação do governo no tocante à mesa diretora. Após passar maus bocados com a atual gestão da Alepe, Raquel entendeu que não poderá ser flexível quanto a essa escolha, que ditará o rumo dos próximos quatro anos de governo.


Perde e ganha – Desde 2014, os grupos de Raimundo e Socorro Pimentel e Roberta Arraes possuem uma característica incomum em Araripina. Em 2014, Socorro foi eleita, em 2018 foi a vez de Roberta, em 2022 foi a vez de Socorro voltar e agora quem levou a melhor foi Roberta Arraes.


Mudanças – Com as vitórias de Thiago Medina, Liana Cirne e Eduardo Moura para a Câmara dos Deputados e Gilson Filho e Romerinho Jatobá para a Alepe, haverá mudanças na Câmara do Recife com as chegadas dos novos vereadores Osmar Ricardo, Nilson Pereira, George Bastos, Alcides Cardoso e Chico Kiko.


Inocente quer saber – A vitória de Marília Arraes lhe dará hegemonia na Frente Popular para 2030?


Fonte : Blog do Edmar Lyra.

 
 
 

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Brito

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