Lideranças na Câmara têm mudanças tímidas e mantêm viés pró-Motta
- Brito
- há 3 dias
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A composição do colégio de líderes da Câmara dos Deputados deverá sofrer alterações sutis no ano eleitoral de 2026, mantendo um perfil semelhante ao de 2025, ano inaugural do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
Como mostrado pelo Metrópoles, líderes do centrão, também conhecidos como a “tropa de choque” de Motta, deverão se manter na cadeira por outro ano consecutivo, reforçando a sustenação à gestão do deputado paraibano.
São eles os líderes do MDB, Isnaldo Bulhões (AL); do PP, Dr. Luizinho (RJ); do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (MA), e do Republicanos, Gilberto Abramo (MG).
Também dão apoio, mas com posturas mais pragmáticas, os líderes do PSD, Antonio Brito (BA), e do Podemos, Rodrigo Gambale (SP), este, porém, deixará o comando da bancada em 2026. Junto ao PSDB-Cidadania, comandando por Adolfo Viana (PSB-BA), o grupo soma 275 integrantes.
A mudança mais significativa se dará na liderança do PT, deixada por Lindbergh Farias (RJ). O deputado protagonizou alguns dos embates mais fortes com Motta e aliados em 2025. O deputado paraibano chegou a romper com o petista, que insiste em dizer que a relação já foi retomada e hoje “estão bem”.
A liderança combativa de Lindbergh dará lugar ao perfil conciliador de Pedro Uczai (SC) a partir de 2 de fevereiro. A mudança já estava pré-acordada entre a bancada do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ranking das bancadas em 2026:
PL: 88 deputados;
Federação PT-PCdoB-PV: 80 deputados;
União Brasil: 59 deputados;
PP: 50 deputados;
PSD: 47 deputados;
Republicanos: 44 deputados;
MDB: 41 deputados;
Federação PSDB-Cidadania: 18 deputados;
PDT: 16 deputados;
PSB: 16 deputados;
Podemos: 16 deputados;
Federação Psol-Rede: 15 deputados;
Avante: 8 deputados;
Solidariedade: 5 deputados;
PRD: 5 deputados; e
Novo: 5 deputados
Outro petista que deverá deixar o colégio de líderes é Arlindo Chinaglia (SP). O deputado e ex-presidente da Câmara é líder da maioria. O sucessor ainda não foi definido, mas a cadeira poderá revezada ao longo do ano.
A condução do governo, porém, deverá seguir nas mãos de José Guimarães (PT-CE). Pragmático e de trânsito fácil entre as demais lideranças, o petista foi escolhido por Lula no início do seu mandato em 2023.
O governista PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin, será conduzido por Jonas Donizete (SP). Em 2025, foi liderado por Pedro Campos (PE), irmão do presidente da legenda e prefeito de Recife, João Campos.
Já o PDT está com dois nomes pleitendo a liderança neste ano eleitoral: o atual líder, Mario Heringer (MG) e o presidente estadual do PDT no Ceará, André Figueiredo.
A interlocutores, o deputado de Minas externalizou ter a vontade de se manter na liderança. Foi sob a gestão de Heronger que o PDT deixou formalmente a base do governo Lula após a saída de Carlos Lupi, presidente da sigla, do Ministério da Previdência em meio ao escândalo de descontos indevidos no INSS. Apesar disso, a bancada continuou votando com o governo.
Integrantes da bancada ouvidos pela reportagem disseram que o tema só será tratado depois do fim do recesso, marcado para 2 de fevereiro. Internamente, o tema sequer é tratado como disputa. Os deputados deverão escolher um nome em consenso, ainda mais em pleno ano eleitoral.
Direita bolsonarista: mudam os nomes, não os perfis
Do lado da direita aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mudam os nomes dos líderes, mas não o perfil dos titulares.
Isso se dá porque a condução da oposição foi deixada por Zucco (PL-RS) no final de 2025 e assumida pelo Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Ambos são bolsonaristas e o deputado paraibano já mostrou que pretende manter o caráter histriônico do grupo.
O caso é o mesmo para a minoria, conduzida em 2025 por Carol De Toni (PL-SC) e que será comandada por Gustavo Gayer (PL-GO) em 2026. O próprio PL, porém, seguirá comandado por Sóstenes Cavalcante (RJ).
O deputado oriundo da Baixada Fluminense conduz maior bancada da Casa e liderou articulações para as votações da Anistia e da PEC da Blindagem, como também coordenou o motim bolsonarista que ocupou o plenário em agosto.
Partidos com menos deputados também continuarão com os mesmos líderes. É o caso do Avante, liderado por Neto Carletto (BA); do PRD, liderado por Fred Costa (MG) e do Solidariedade, liderado por Aureo Ribeiro (RJ). As federações do PSDB-Cidadania e Psol-Rede, também. O Novo faz rodízio ao longo do ano entre seus integrantes. Atualmente, é liderado por Marcel Van Hattem (RS).
Fonte : Portal Metropoles.



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