João Campos segue cartilha para ser o governador eleito em 2026

João Campos conseguiu reunir a senadora Teresa Leitão (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministros, parlamentares e ex-adversários. Foto: Rodolfo Loepert/Redes Sociais
A larga vantagem do prefeito João Campos (PSB) na disputa pela reeleição no Recife dá tranquilidade para o projeto das eleições de 2026. Sem negar que já trabalha para ser o futuro governador de Pernambuco, João foi recepcionado nas convenções dentro e fora da Região Metropolitana como um puxador de votos, resultado da sua popularidade e capacidade de costurar alianças de olho na disputa daqui a dois anos.
A campanha eleitoral nem começou definitivamente, mas a tendência é de uma disputa relativamente segura para o prefeito. Líder do partido e nas vistas de todo o cenário nacional, João sabe da importância de uma vitória consistente no primeiro turno para estabelecer credenciais que possibilitem voos mais altos.
“João Campos não é apenas um candidato à reeleição no Recife, mas um quadro reconhecido da política local do PSB. Então, não é uma estratégia equivocada. Ele usa sua popularidade para fazer política partidária e melhorar as condições para sua campanha de 2026”, avalia o cientista político e professor da UFPE Arthur Leandro.
Ex-deputado federal, o prefeito do Recife largou o mandato quando quis concorrer ao município. Eleito sempre que esteve nas urnas, hoje, todos querem estar ao lado do “meu prefeito”, que lança moda e alcançou uma representatividade invejável até por grandes caciques da política.
Acima do PT
O tamanho de João Campos fora das redes sociais ainda permitiu que ele desse as cartas em 2024. Na capital do estado natal do presidente Lula, apesar da boa relação com o petista, o prefeito frustrou o plano do PT de navegar na sua vice candidatura. Sem condições de largar a mão do PSB, restou ao partido engolir a indicação da federação por Victor Marques, recém filiado ao PCdoB, que é amigo de infância de João e chefiou todos os seus gabinetes.
Nesse cenário, além de influenciar a eleição de outros municípios, João Campos deve manter hegemonia do PSB na capital com um nome de confiança à frente da administração. Como quem vota no candidato também elege o vice, o eleitor pode ter pela frente dois anos de mais um gestor de fora da política.
“Tem pessoas que acompanham o cotidiano da política e se posicionam em relação a ela de maneira mais informada e tem pessoas que votam em João porque, enfim, acham ele bonito. Nem todo mundo está ciente, mas não quer dizer que esse voto seja menos importante do que o voto de quem acompanha com detalhe”, sintetizou o cientista político.
Sem experiência em cargos eletivos, Victor é mais um que saiu da “fábrica de quadros técnicos” do PSB, como foi com o ex-prefeito Geraldo Júlio e o ex-governador Paulo Câmara. Ambos se reelegeram e abandonaram a carreira política embaixo de duras críticas.
Fonte : Estadão.
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