Governadores aliados de Bolsonaro são os mais prejudicados pelo tarifaço

"A situação é dramática para São Paulo, que respondeu por US$ 13,6 bilhões das exportações para os Estados Unidos em 2024, seguido pelo Rio de Janeiro (US$ 7,4 bi), governado por outro aliado de Bolsonaro, Cláudio Castro, e sua principal base eleitoral" - (crédito: Maurenilson Freire)
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros é uma sanção política sem precedentes, que viola não apenas as regras do jogo do comércio mundial, mas também as leis norte-americanas, como apontou o Prêmio Nobel Paul Krugman. Politicamente, está sendo um tiro pela culatra, porque desestabiliza e divide internamente as forças de direita e prejudica sobretudo a economia dos principais estados governados por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais do que uma represália econômica, houve uma intervenção explícita na política interna do Brasil, conforme admitido na própria carta do republicano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao condicionar a suspensão das tarifas ao arquivamento dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que no primeiro momento tentaram capitalizar a seu favor o tarifaço, estão tentando se reposicionar, por conta do enorme desgaste da oposição nas redes sociais diante do apoio de Bolsonaro às medidas de Trump. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), está na mesma situação, embora seu estado não esteja entre os principais exportadores para os Estados Unidos. Todos são pré-candidatos à Presidência e sonham com o apoio de Bolsonaro em 2026. Ironicamente, a crise diplomática e comercial entre o Brasil e os EUA alimenta a polarização entre Lula e o ex-presidente, porém, agora, com a balança pendendo a favor do governo e contra a oposição.
Fonte: Correio Braziliense.



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