Fidelidade sertaneja

Os prefeitos Cloves, de Afrânio, e Vinícius Marques, de São José do Belmonte, seguem um caminho raro na política do Sertão pernambucano: a fidelidade aos seus antecessores.
Ambos mantêm diálogo próximo com os ex-prefeitos Rafael Cavalcanti e Romonilson Mariano, respectivamente, e tratam a relação como elemento fundamental para garantir continuidade administrativa e estabilidade nas gestões.
Em Afrânio, Cloves recorda a trajetória conjunta com Rafael, iniciada nas eleições de 2016, quando foi vice na chapa liderada pelo então prefeito. A parceria se repetiu em 2020 e, em 2024, Cloves assumiu a cabeça da disputa com a indicação direta do aliado. Hoje, já no exercício do mandato, ele não esconde a importância do apoio recebido. “Se eu consegui ser um bom vice para ele, ele tem sido um excelente antecessor para mim”, afirmou, destacando que mantém contato frequente para pedir conselhos e auxílio em decisões da gestão.
No caso de São José do Belmonte, Vinícius Marques ressalta a herança deixada por Romonilson, responsável por transformar o município em referência regional nos investimentos em energia solar. Ele reconhece que o antecessor entregou uma cidade estruturada, mas observa que o desafio agora é manter o nível de serviços diante da queda de arrecadação. “O grande desafio da minha gestão atual é manter isso e fazer com que essa engrenagem tenha ainda mais eficiência”, disse, ao citar as áreas de educação e pavimentação como prioridades.
Esses dois exemplos se destacam por destoarem do padrão observado em muitas cidades do interior, onde a sucessão municipal costuma resultar em rompimentos e disputas políticas. Em Afrânio e Belmonte, a opção por preservar o vínculo com os ex-gestores sinaliza a construção de uma lógica de cooperação que pode ampliar a previsibilidade administrativa e reforçar a execução de projetos em curso, com impacto direto na vida da população.
Fonte: Blog FALAPE.



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