Faltou combinar com o partido

A decisão do governador Ronaldo Caiado (UB) de antecipar a movimentação eleitoral e, consequentemente, o xadrez político com vistas à disputa para o Palácio do Planalto evidenciou apenas a existência de um racha na cúpula do União Brasil, partido formado a partir da fusão entre o PSL e o DEM e que, desde a criação, segue como exemplo de dissidências.
Em o que aparenta ser um voo solo, Caiado lançou-se candidato à Presidência da República em um ato realizado em Salvador, capital da Bahia, para o qual convocou mais de uma centena de prefeitos de cidades de Goiás, todos devidamente fardados com roupas em tons de verde e amarelo, uma estratégia que dialoga com o eleitorado conservador e de direita.
No entanto, na tentativa de soar menos radical, o governador centrou esforços em uma narrativa encampada para se distanciar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dois dias depois, Caiado deu sinais de que continua política e estrategicamente perdido – resolveu aparecer ao lado de Bolsonaro em uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, valendo-se da imagem e do capital eleitoral do suposto aliado.
Caiado aposta na decisão do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) para conseguir se viabilizar como candidato de oposição à reeleição de Lula (PT), mas a análise é de que, para isso, pode ter que buscar abrigo em outra legenda, tendo em vista que o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, deliberadamente faltou ao ato em Salvador. E essa ausência não foi nada silenciosa.
Coube ao ex-prefeito soteropolitano ACM Neto (UB) registrar publicamente que o não comparecimento de Rueda ao lado de Caiado se deu por uma série de entraves internos no partido, entre os quais, a resistência do governador à criação de uma federação com o PP. Em resposta, Caiado disse que qualquer filiado, se assim o quiser, tem a opção de disputar prévias internas, o que apimentou ainda mais as discussões.
Fato é que disputar o mais alto cargo político do país sem o apoio do próprio partido, e em meio a declarações confusas, não é tarefa das mais fáceis. Teria o governador de Goiás espólio eleitoral para vencer a corrida para o Palácio do Planalto em 2026? Ou melhor… Teria Caiado condições de se viabilizar como candidato?
Fonte: Blog FALAPE.



Comentários