Em disputa pelo Senado, grupos de Miguel Coelho e Eduardo da Fonte dividem espaços no governo Raquel Lyra

O embate entre o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) pela indicação da Federação União Progressista à vaga de candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) também se reflete na composição da administração estadual.
Embora tenham ingressado na base governista em momentos distintos e por caminhos diferentes, os dois grupos políticos hoje ocupam espaços na estrutura do Governo de Pernambuco, resultado de uma série de movimentos promovidos pelo Palácio do Campo das Princesas ao longo deste ano.
A disputa ganhou um novo capítulo nesta semana, quando a Executiva Estadual da União Progressista aprovou, por cinco votos favoráveis e duas abstenções, a indicação de Eduardo da Fonte como pré-candidato ao Senado.
A decisão, no entanto, foi contestada pelo presidente nacional da federação, Antonio de Rueda, que defendeu que a palavra final caberá à direção nacional por falta de consenso entre PP e União Brasil. Miguel Coelho, que também pleiteia a vaga, sustenta esse entendimento, enquanto Eduardo considera a indicação consolidada.
Enquanto a definição permanece em aberto no âmbito da federação, a composição do governo estadual revela o esforço de acomodação dos dois grupos dentro da base política da governadora.
Miguel Coelho: Da oposição à base governista
A entrada definitiva do grupo dos Coelho na administração estadual ocorreu em março, após a aproximação política entre Miguel Coelho e Raquel Lyra, e do anúncio do União Brasil de apoio à reeleição da governadora, junto ao lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de Petrolina ao Senado.
Até então, Miguel integrava o campo político do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), com dois secretários na gestão municipal. Na Assembleia Legislativa, seu irmão, o deputado estadual Antonio Coelho (União Brasil), protagonizava embates com o governo durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), em uma crise que só foi superada após o Executivo encaminhar um novo projeto de lei.
Com o anúncio do apoio do União Brasil à reeleição de Raquel e o lançamento da pré-candidatura de Miguel ao Senado, o grupo passou a integrar a gestão estadual. O movimento foi acompanhado pela nomeação de quadros ligados aos Coelho para postos estratégicos.
Thiago Angelus assumiu a presidência do Lafepe, Wagner Maciel foi nomeado para comandar o Porto do Recife e Danielle Jar Souto passou a responder pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sdec). Na ocasião, Miguel afirmou que a governadora havia solicitado nomes capazes de "somar" à administração e disse que o grupo colocaria à disposição "os melhores quadros" para colaborar com a gestão.
Eduardo da Fonte: Crise e reconciliação com o Palácio em dois meses
A reorganização da gestão estadual também chegou no grupo político ligado a Eduardo da Fonte e ao Progressistas. Em março, a relação com o Palácio ficou estremecida, após o deputado abrir negociações com João Campos para discutir uma eventual composição da Frente Popular nas eleições de 2026.
Com isso, o governo promoveu mudanças que atingiram espaços ocupados por aliados do Progressistas. Foram exonerados Bruno Rodrigues, da Ceasa; Paulo Nery, do Porto do Recife; e Plínio Pimentel, do Lafepe.
Pouco depois, a bancada do PP na Alepe anunciou posição de independência em relação ao governo durante as discussões sobre a reorganização das comissões permanentes da Casa.
O cenário, entretanto, voltou a mudar nas semanas seguintes. Com a formalização do apoio do Progressistas à reeleição de Raquel Lyra e o lançamento da pré-candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado, o grupo e o PP voltaram a ocupar espaços na administração estadual.
Renato Hayashi assumiu a presidência do Detran-PE, Paulo Nery foi nomeado presidente da Copergás, Humberto Arraes passou a comandar a Ceasa e Cláudio Asfora assumiu a Secretaria de Turismo e Lazer, substituindo Kaio Maniçoba (PP), que deixou a pasta para disputar a reeleição à Câmara dos Deputados.
Disputa segue aberta
Hoje, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte dividem o mesmo palanque, integram a Federação União Progressista e disputam entre si a indicação para ocupar uma das vagas ao Senado na chapa de Raquel Lyra. A decisão da Executiva Estadual pela indicação do nome de Eduardo ao Senado abriu um novo capítulo da disputa, mas não encerrou o impasse.
Enquanto o PP considera a indicação validada pela direção estadual e referendada pelo presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, o União Brasil sustenta que qualquer definição dependerá de deliberação da Executiva Nacional da federação, conforme manifestação de Antonio de Rueda.
Sem se posicionar publicamente sobre a escolha entre os dois aliados, Raquel Lyra tem evitado comentar as articulações eleitorais e afirma, quando questionada, que seu foco permanece na agenda administrativa do governo.
Enquanto a definição não ocorre, os grupos políticos de Miguel Coelho e Eduardo da Fonte seguem representados na estrutura da administração estadual, compondo uma base que a governadora busca manter unificada às vésperas da formação da chapa para 2026.
Fonte : JC.



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