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Dois lados do Bolsonarismo

Brito
27 de set. de 2025
3 min de leitura

Por Guilherme Camilo


A entrevista de Anderson Ferreira nesta sexta-feira (26) escancara uma disputa que já não cabe mais debaixo do tapete: há dois projetos para o bolsonarismo em Pernambuco, e ambos carregam pesos e apoios diferentes.


De um lado, está Gilson Machado, o candidato da confiança pessoal de Jair Bolsonaro. O ex-ministro do Turismo, mesmo sem mandato, recebeu do ex-presidente a chancela de “projeto político” em Pernambuco. Em entrevista à CBN Recife, meses atrás, Bolsonaro não titubeou: se dependesse apenas dele, Gilson seria o nome para o Senado em 2026. É o selo do bolsonarismo raiz, o voto de confiança de quem ainda lidera a extrema direita no país.


Do outro, está Anderson Ferreira, que carrega no currículo duas gestões à frente da Prefeitura de Jaboatão e mandato na Câmara Federal. Mais do que experiência administrativa, Anderson ostenta um trunfo estratégico, que é o apoio de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. É a chancela institucional do partido, o aval de quem controla a máquina e define a lógica das chapas majoritárias pelo Brasil.


A fala de Anderson expôs a rachadura. Ao lembrar que avisou sobre a “derrota anunciada” de Gilson em 2024, ao criticar a postura do ex-ministro e ao citar a condução da chapa de vereadores no Recife, ele mostrou que não está disposto a abrir mão de protagonismo. Para além da disputa interna, há um recado, o de que experiência pesa, e o eleitor, na visão dele, vai cobrar maturidade política.


O curioso é que Anderson não fechou portas. Ao contrário, fez questão de acenar à governadora Raquel Lyra, sinalizando abertura para uma aliança em 2026. Um gesto calculado, que tenta mostrar pragmatismo e afastar a imagem de isolamento.


O bolsonarismo, portanto, chega a 2026 com duas faces em Pernambuco. Gilson, o candidato da lealdade cega ao líder. Anderson, o nome da institucionalidade partidária, que busca costura e aposta na experiência.


DISSE ME DISSE - O ministro Márcio Macêdo afirmou que não foi informado pelo presidente Lula sobre sua possível saída do ministério. Ele reconhece a “disputa política” em torno de seu cargo e não guarda mágoas pelos rumores de substituição por Guilherme Boulos. Macêdo destacou que seu foco é servir o país e o projeto de Lula, sem projetos pessoais. Ele enfatizou que qualquer decisão sobre sua candidatura eleitoral será tomada pelo presidente.


TROCOU - O PSD de Pernambuco ganhou o prefeito de João Alfredo, José Martins, que deixou o PSB. Com essa filiação, o partido agora tem 71 prefeituras no estado. Martins elogiou a governadora Raquel Lyra, enquanto a governadora destacou seu compromisso com João Alfredo. O vice-presidente estadual do PSD, André Teixeira Filho, também deu as boas-vindas a Martins.


FRASE DO DIA: “O PSD tem o seu rumo. Ou é com o governador Tarcísio, o governador Ratinho Júnior ou o Eduardo Leite. Isso é algo que está pacificado dentro do partido e, portanto, vamos aguardar”, disse Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD


RÁPIDAS 


SAIU - O Ministro do Turismo Celso Sabino entregou sua carta de demissão ao presidente Lula, mas permanecerá no cargo até a próxima semana. Ele pediu a demissão por ordem do União Brasil, mas há possibilidade de diálogo para reverter a decisão. Sabino e Lula estarão em Belém para a inauguração de obras e a COP30.


SOB PROTESTOS - O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu foi vaiado na Assembleia Geral da ONU, com delegações, incluindo a do Brasil, deixando o local antes de seu discurso.


HISTÓRICO - Com a chegada do prefeito de João Alfredo, José Martins ao PSD, a legenda chega a 71 prefeituras pernambucanas sob sua tutela. Um feito jamais visto e histórico para o Estado, com dedo importante da governadora Raquel Lyra.


PINGA-FOGO: O bolsonarismo em Pernambuco caminha com Gilson Machado ou Anderson Ferreira?


Fonte: Blog do Elielson. 

 
 
 

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