Campanha alerta que eleitores terão dois votos para o Senado em 2026

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nas eleições de 2026, cada eleitor terá dois votos para o Senado Federal. A regra ainda é desconhecida por grande parte da população: segundo pesquisa Genial/Quaest, apenas 34% dos brasileiros sabem que poderão escolher dois candidatos para o cargo. Os outros 66% indicaram outra quantidade de votos ou disseram não saber responder.
O levantamento foi realizado entre 31 de julho e 3 de agosto e ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BR-06591/2026 e BR-07661/2026.
Os dados são usados como ponto de partida para a campanha ‘Voto pro Senado’, iniciativa cívica e apartidária do Instituto Update. A proposta é explicar a votação para o cargo e chamar a atenção para o chamado abandono do voto para o Senado.
Como será a votação
Em 2026, serão escolhidos dois senadores em cada estado e no Distrito Federal. Com isso, 54 das 81 cadeiras do Senado serão renovadas. Os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos.
Na urna, o eleitor fará dois votos para o Senado, em momentos diferentes. As escolhas devem ser para candidatos diferentes. Caso a mesma pessoa seja escolhida nas duas oportunidades, o segundo voto será considerado nulo, conforme as regras definidas pelo TSE.
O Senado tem 81 parlamentares, três por estado e pelo Distrito Federal, com mandatos de oito anos. Entre as atribuições dos senadores estão elaborar e votar leis, fiscalizar o Poder Executivo e exercer competências exclusivas, como aprovar determinadas autoridades indicadas pelo governo e processar e julgar o presidente da República em crimes de responsabilidade.
Para Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update, conhecer as atribuições do Senado ajuda o eleitor a compreender a importância das duas escolhas.
“São decisões que mexem com a economia, com as instituições e com a fiscalização do próprio governo. Quando o eleitor entende o que está em jogo, fica mais fácil avaliar as candidaturas e dar o peso certo aos dois votos que vai ter neste ano”, declara.
Mulheres e pessoas de menor renda sabem menos
A pesquisa também identificou diferenças no acesso à informação sobre a votação. Entre as mulheres entrevistadas, 28% disseram saber que terão dois votos para o Senado. Entre os homens, o percentual foi de 40%.
A diferença também aparece conforme a renda e a escolaridade. Entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, 26% sabem da regra. O índice chega a 45% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.
Em relação à escolaridade, 25% dos entrevistados com ensino fundamental sabem que terão dois votos. Entre quem possui ensino superior, o percentual chega a 46%.
Para Carolina, a diferença também representa uma desigualdade no acesso às informações necessárias para a votação. “As mulheres vivem as políticas públicas na prática e estão muito próximas de seus efeitos no cotidiano, seja no cuidado com a família, na saúde, na educação ou no acesso aos serviços públicos. Quando a informação sobre a votação para o Senado não chega até elas, existe uma desigualdade no acesso ao exercício pleno do voto“, afirma.
Abandono do voto
A campanha também chama atenção para o chamado abandono do voto para o Senado, situação em que o eleitor comparece às urnas e vota para outros cargos, mas não registra um voto válido para senador.
Em 2018, quando também estavam em disputa duas vagas para o Senado em cada estado, foram registrados 63,3 milhões de votos brancos e nulos para o cargo, segundo dados do TSE citados pela campanha. Em 2022, quando apenas uma vaga estava em disputa por estado, foram 23 milhões.
Campanha
Com a mensagem “são dois votos”, a campanha Voto pro Senado começou a divulgar conteúdos nas redes sociais e em seu site. A estratégia prevê vídeos, spots de rádio e peças de mídia exterior em diferentes estados.
O conteúdo será ampliado até o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro de 2026.
*Da assessoria
Fonte : Estadão.
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