Berzoini vê eleição no limite e diz que PT precisa planejar o futuro

A dez dias do segundo turno, o ex-presidente nacional do PT e ex-ministro Ricardo Berzoini prevê uma disputa presidencial decidida por margem mínima entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o petista afirmou que, apesar da concentração de apoios partidários em torno de Flávio, a diferença entre os dois candidatos tende a ficar em no máximo dois pontos percentuais. “Pelo rumo das pesquisas e pelo que estou observando no cenário em cada região, a diferença no máximo será de dois pontos percentuais. Quem errar menos leva”.
Berzoini avalia que a vantagem inicialmente aberta por Flávio após o primeiro turno já diminuiu, movimento que considera natural em disputas dessa natureza. “Aconteceu com Dilma Rousseff contra Aécio Neves, em 2014. Quem chega na frente abre um pouco, e agora a diferença voltou a apertar”, comparou. Mesmo reconhecendo a dificuldade do cenário, aposta na capacidade de mobilização de Lula para produzir uma virada inédita desde a redemocratização.
“É verdade que nunca houve uma virada em eleições presidenciais. Mas o que temos hoje é diferente, a capacidade de mobilização do presidente Lula é muito grande”, disse. Segundo ele, a reação de setores da sociedade que haviam entrado no primeiro turno confiantes numa vitória do petista já aparece nas ruas. “Você está tendo uma efervescência de pessoas que estavam confiantes de que Lula ganharia no primeiro turno e estão vendo que a disputa é mais apertada”.
O ex-presidente do PT também reconheceu problemas na campanha de Lula na primeira etapa. Para Berzoini, havia “pouca dinâmica” e dificuldade para produzir movimentos capazes de gerar resposta do eleitorado. Ele acredita que o presidente percebeu a deficiência e, sem afastar integrantes da equipe, incorporou ao núcleo nomes fortalecidos nas urnas, como Camilo Santana, Rui Costa, Rafael Fonteles e Elmano de Freitas. “São pessoas que podem aportar uma contribuição tanto de articulação política, que é fundamental, como do ponto de vista da dinâmica de campanha”.
Berzoini minimizou, porém, as críticas dirigidas ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e à primeira-dama Janja. “A Janja não prejudica em nada. Não gostar dela é um direito das pessoas, claro. Mas se a vitória tivesse vindo no primeiro turno, ninguém iria falar disso”.
Entre os problemas que identifica, apontou a falta de material de campanha e ressaltou a mobilização espontânea de jovens e movimentos sociais. Também demonstrou preocupação com a atuação das plataformas digitais e defendeu regras que garantam neutralidade na distribuição de conteúdo político, sem censura.
Independentemente do resultado das urnas, o ex-dirigente considera que o PT terá de rever sua estratégia para os próximos anos. “O PT não pode deixar de planejar o futuro”, afirmou. Entre as prioridades, citou a comunicação digital e uma nova relação com o sistema financeiro. Berzoini criticou o atual modelo de metas de inflação e as taxas de juros praticadas no país, defendendo parâmetros “ambiciosos, porém realizáveis”. “O Brasil precisa ter taxas de juros amigáveis para nossa economia, para o consumidor e para quem quer produzir”.
Vitória para Lula – O Senado aprovou, ontem, por 75 votos a 1 nos dois turnos, a PEC que acaba com a escala 6×1, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso sem redução salarial. A pouco mais de uma semana do segundo turno, a aprovação representa uma vitória política para Lula (PT), que transformou a pauta em bandeira de campanha e vinha pressionando o Congresso pela votação. Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a criticar a proposta e defender um modelo alternativo com possibilidade de redução proporcional do salário, afirmou nesta semana que seguiria “a vontade da maioria do povo” e votou à distância. Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único senador contrário. O texto agora segue para promulgação.
PEC da Segurança Pública avança no Senado – O Plenário do Senado começa a discutir hoje a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) concluir, ontem, a votação do texto. Na noite passada, os senadores também aprovaram um calendário especial para acelerar a tramitação da proposta. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que há possibilidade de a matéria avançar antes do segundo turno. A PEC reorganiza o sistema de segurança pública, amplia a integração entre União, estados e municípios e estabelece regras mais rigorosas para líderes e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias.
Flávio quer revisar a PEC do fim da 6×1 – Apesar de ter votado a favor da PEC que acaba com a escala 6×1, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fez chegar a aliados e empresários que pretende rever pontos da mudança caso seja eleito. A intenção é ampliar a possibilidade de negociação direta entre empresas e trabalhadores sobre jornada e remuneração. A sinalização ocorre em meio às críticas de setores empresariais à nova regra.
Carta aos evangélicos – O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, divulgou, ontem, uma carta dirigida às famílias evangélicas na qual pede “discernimento” na escolha eleitoral e associa propostas de seu governo à proteção da família e aos valores cristãos. A mensagem, publicada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, busca aproximá-lo de um segmento do eleitorado em que seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), mantém vantagem nas pesquisas. “Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé”, afirma o presidente, que associa sua trajetória política à criação familiar e à proteção divina. Ele diz compartilhar com os evangélicos o compromisso de cuidar das famílias brasileiras.
Motta mira reeleição – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), intensificou, nesta semana, sua articulação em busca de apoio para se reeleger ao comando da Casa em fevereiro de 2027. Ontem, por exemplo, Motta chamou presidentes de sete partidos de centro para um almoço na residência oficial do presidente da Câmara, em Brasília. São eles: Antônio Rueda, presidente da federação União Progressista; Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD; Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos; Baleia Rossi, presidente nacional do MDB; Aécio Neves, presidente nacional do PSDB; Renata Abreu, presidente nacional do Podemos e Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade. Atualmente, esses partidos formam o maior bloco partidário da Câmara, com 271 deputados. O desejo de Motta é que as siglas mantenham o bloco em 2027 e apoiem sua reeleição.
CURTAS
CRECHES – A Prefeitura do Recife vai abrir 136 unidades de Educação Infantil da rede municipal, no próximo dia 25 de outubro, data em que está marcado para acontecer o segundo turno das eleições presidenciais, para acolher as crianças enquanto mães, pais e responsáveis vão às urnas. A ação, que deve atender cerca de 21 mil crianças, foi anunciada ontem pelo prefeito Victor Marques (PCdoB).
CRECHES II – A iniciativa será realizada por meio da Secretaria de Educação e é voltada principalmente às famílias que não contam com uma rede de apoio para cuidar dos pequenos durante a votação. Ao anunciar a medida, o prefeito destacou que a democracia depende de condições para que todas as pessoas participem do pleito.
BR-232 – A BR-232 terá alterações no trânsito, no próximo domingo (18), para o içamento de uma estrutura metálica da passarela localizada no quilômetro 6,1 em frente ao Hospital Pelópidas Silveira, no Curado, Zona Oeste do Recife. Por volta das 23h30, será necessária, por precaução, a interdição total da BR-232 nos dois sentidos, para a movimentação e a instalação da passarela. A previsão é que essa etapa seja concluída até 0h30 da segunda-feira (19).
Perguntar não ofende: O apoio de Flávio ao fim da 6×1 dura só até a eleição?



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