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Análise: Congresso reclama de falta de diálogo, mas, na maioria das vezes, não quer conversar, quer impor

Brito
23 de mar. de 2024
2 min de leitura


Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Congresso reclama da dificuldade de diálogo com o Palácio do Planalto.


Às vezes, são reclamações do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sobre a falta de traquejo do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.


Outras vezes são falas de relatores de projetos que pontuam a necessidade de serem recebidos por ministros para dar andamento aos acordos.


Mas o que se escuta sempre de parlamentares é: não há espaço para conversas e negociações.


Por outro lado, em 2024, mais do que avançar no diálogo, o que se percebe é que o Parlamento está mesmo é querendo determinar o caminho das conversas. Nesta última semana, essa imposição do Congresso ficou ainda mais evidente.


A Câmara, por exemplo, aprovou o novo ensino médio, mesmo sem acordo com o Ministério da Educação.


No meio do caminho, inclusive, teve uma reunião do atual ministro da Educação, Camilo Santana, com antigo ministro, Mendonça Filho (União-PE), com direito a gritos e até mesmo, segundo fontes, murro na mesa e ameaça de confronto físico.


E quem ganhou: o deputado e ex-ministro. O projeto acabou aprovado muito mais do jeito que os deputados queriam do que o próprio MEC.


Falando em Câmara, também nesta última semana, Padilha foi até a Casa pedir ajuda da bancada evangélica para aprovar as pautas econômicas em troca da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a isenção tributária das igrejas.


O ministro saiu de lá com a certeza de que essa ajuda não virá no curto prazo e sem o acordo – anunciado anteriormente pelo próprio Padilha – para a aprovação da PEC.


Junta-se à lista, a novela da desoneração dos setores da Economia, do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e da desoneração das prefeituras. Todas essas matérias, o Planalto mandou de um jeito — e teve de voltar atrás depois.


Foram várias as medidas provisórias que, no fim das contas, tiveram de virar projeto de lei, – perdendo o caráter emergencial e imediato de uma medida provisória.


Sem contar que Lula precisou reabrir o Palácio do Alvorada para encontros com parlamentares nos últimos meses. Em um deles, durante uma tentativa de diálogo, reclamou do avanço da PEC da reeleição.


Mais uma vez, no entanto, o Senado respondeu as falas de Lula demonstrando que essa PEC será sim uma das prioridades da Casa em 2024.


São incontáveis vitórias de um Congresso empoderado — e olha que nem se falou nas emendas parlamentares.


No andar das conversas, o Planalto até que já tentou falar alto, mas, no fim das contas, precisou baixar o tom e aceitar mais ouvir do que gritar.


O resumo: em um país de presidencialismo, quem vem dando as cartadas e impondo o caminho que o diálogo tem de seguir é cada vez mais o Parlamento.


Fonte:Blog da CNN.

 
 
 

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Brito

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