A próxima chuva

Por Lucas Arruda
Em Pernambuco, a próxima chuva sempre será a pior. E o motivo é simples: decisão política, porque parte considerável dos municípios sequer compreende que precisa se adaptar às mudanças climáticas. O robusto indicador de capacidade das gestões sobre riscos e desastres, formulado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) é prova: apenas 10 cidades possuem alta capacidade de resposta a eventos adversos, como grandes precipitações, enquanto que 65 estão em estágio inicial.
Por isso, por mais que chamem a atenção, as tristes imagens que chegam da Zona da Mata, em especial, de cidades como Macaparana, Timbaúba e Vicência, não espantam.
Famílias que perdem seus bens – quando também não perdem seus entes; estradas e pontes danificadas pela força das águas. E o mesmo discurso: não era possível esperar que “as fortes chuvas” fossem causar tantos estragos. Mas sabemos que não é bem assim.
Em maio, logo após a RMR e a Zona da Mata terem sofrido com um grande volume de chuva, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou e a governadora Raquel Lyra (PSD) sancionou o Fundo de Proteção, Defesa Civil e Recuperação Ambiental do estado, para obras de prevenção, mitigação, preparação, e recuperação de infraestrutura.
Algo que precisa ser construído com tempo, assim como o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC), atualmente em desenvolvimento.
A grande questão é que as cidades não têm mais tempo e precisam tomar decisões urgentes para não sofrerem mais. Em menos de dois meses, um novo evento climático de grandes proporções acontece em Pernambuco. Isso reforça que lidar com as mudanças climáticas é trocar o pneu com o carro em movimento, e infelizmente, já não existe outro caminho.
Estamos diante de mais um período eleitoral, onde esse é um assunto que costuma ser colocado em último plano. Vale sempre o lembrete ao eleitor: no momento da agonia, quando o rio sobe e invade as casas; quando as pessoas ficam ilhadas; quando precisa-se retirar soterrados, eis aí um efeito direto da decisão tomada na urna – e não há súplica que mude a implacável consequência do voto.
PRONUNCIAMENTOS – A governadora Raquel Lyra (PSD), que cumpre agendas em Serra Talhada e em Jaboatão dos Guararapes neste domingo (27), declarou, nas redes sociais, que acompanha a situação das chuvas na Zona da Mata. Segundo Raquel, o governo atua para prestar assistência aos municípios e famílias. Quem também se pronunciou foi o pré-candidato ao governo estadual pelo PSB, João Campos, que disse manter contato com prefeitos aliados na região.
MATA NORTE – A Mata Norte é a região mais afetada pelas chuvas, além de parte do Agreste Setentrional, considerando as zonas urbana e rural de São Vicente Férrer. O território é de influência política do deputado estadual Antônio Moraes (PSD). De Macaparana, o parlamentar indicou que comunicou toda situação à governadora Raquel Lyra (PSD), pedindo apoio do governo estadual.
ESTRAGOS – Em Timbaúba, até o fechamento desta Coluna, ao menos duas pessoas ficaram ilhadas com a elevação do Rio Capibaribe Mirim e precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Já em Nazaré da Mata, em 24h, choveu 82% do esperado para todo o mês de junho, com dois deslizamentos de barreiras e o comprometimento de quatro residências. Apenas alguns exemplos dos impactos na região.
FRASE DO DIA: “Flávio foi escolhido pelo presidente Bolsonaro. Bolsonaro sempre fez a melhor escolha”, reforçou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
CAMAROTTI – Nesta sexta-feira (3), Recife recebe a terceira edição do Congresso de Comunicação e Economia do Nordeste, promovido pelo Blog do Elielson, em parceria com a CBN Recife, CBN Caruaru e TV Asa Branca. O palestrante principal será o jornalista Gerson Camarotti, comentarista político da TV Globo e da GloboNews, que falará sobre “as perspectivas para as eleições gerais”. O evento ocorre no Novotel Recife.
PRAZO – A partir de sábado (4), faltando três meses para o primeiro turno das eleições, fica proibida a propaganda institucional. Isto é, quem ocupa cargo público, como a governadora Raquel Lyra (PSD), não pode divulgar ato de governo, programas, serviços e obras, ou ainda, participar de inaugurações de obras públicas.
BOLA FORA – Para o despreparo dos municípios de Pernambuco quanto às mudanças climáticas.
BOLA DENTRO – Para os 20 anos do Procape, referência no Norte e Nordeste quando o assunto é cardiologia, com uma contribuição imensa para todo país.
PINGA-FOGO: Até quando as chuvas serão sinônimo de tragédia em Pernambuco?
Fonte : Blog do Elielson.



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