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2026: um jogo restrito a dois atores

Brito
29 de dez. de 2025
4 min de leitura

Nas eleições que se aproximam, Pernambuco apresenta, desde já, um cenário para retomada dos grandes clássicos que pontuam a sua rica história eleitoral. Com um detalhe: sem chances de segundo turno, porque os olhos e os corações dos eleitores estarão mirados e fixados em apenas duas alternativas, um jogo marcado pela polarização.


De um lado, Raquel Lyra (PSD), a primeira governadora a chegar ao Palácio das Princesas, em busca da reeleição. Do outro, João Campos (PSB), o jovem prefeito do Recife, que vai abrir mão do mandato em abril próximo para tentar desbancar o projeto da adversária de renovar o seu mandato. Não há espaço para mais ninguém neste espetáculo.


Quem se aventurar, pode sair mais nanico do que entrou, com resultado tão inexpressivo quanto se deu com Daniel Coelho, o candidato apoiado pela governadora na disputa pela Prefeitura do Recife em 2024, quando João papou o segundo mandato logo no primeiro turno, com uma das maiores e mais consagradoras votações no País, na comparação com as demais capitais.


Ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Turismo, estando de volta ao primeiro escalão de Raquel em função sem a menor importância, Daniel (PSD) teve o pior desempenho percentual de um candidato a prefeito do Recife apoiado por governador do Estado desde a redemocratização, em 1985. Ficou em quarto lugar, com apenas 3,21% dos votos válidos. O candidato de Raquel conseguiu bater Roberto Freire, que em 1996, disputando a Prefeitura do Recife com apoio de Miguel Arraes no poder, teve 3,54% dos votos.


A polarização Raquel x João, portanto, fecha as portas para aventureiros que entram em eleições só para aparecer na TV, marcar posição e ganhar dinheiro do fundo eleitoral. Já tem uns oportunistas aí botando a cara, mas o eleitor, certamente, não vai querer jogar seu voto fora. Os bolsonaristas já perceberam que não terão espaço como coadjuvantes neste jogo e por isso andam antecipando uma disputa apenas para o Senado.


Em 2026, Raquel e João têm chances de repetir clássicos que ainda estão na memória ou em compêndios da história, como Marcos Freire e Roberto Magalhães, em 1982; Miguel Arraes e José Múcio, em 1986; Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos, em 1998. Raquel e João são estuários da renovação política do Estado. Que se preparem para um fenomenal duelo!


JOÃO LIDERA EM TODAS AS REGIÕES – Conforme atestam todas as pesquisas de

intenção de voto divulgadas ao longo deste ano, João Campos desponta com amplo favoritismo. Desbanca a governadora em todas as regiões do Estado, do litoral ao Sertão. Bate com folga principalmente no Recife e Região Metropolitana, com uma média de 70% a 14%. Se as eleições fossem hoje, João venceria Raquel por uma margem superior a 1 milhão de votos, segundo Maurício Romão, craque em análises de pesquisas eleitorais.


Falta gestão a Raquel – Por que Raquel está tão abaixo de João? Gestão diz tudo.

Enquanto o prefeito do Recife fez o primeiro ano do seu segundo mandato entregando uma penca de obras, espalhadas por toda parte da cidade, dos morros ao centro, a governadora encerra o seu terceiro ano sem entregar uma só obra estruturadora. Há pouco, assinou a ordem de serviço para o Arco Metropolitana, um projeto arrojado e estruturante na área viária, é verdade, mas de longa duração. Ao final do seu mandato, não terá avançado sequer 10% no conjunto das obras.


Só uma creche – Quando estava no terceiro ano da sua primeira gestão, como ocorre hoje com Raquel, o ex-governador Eduardo Campos, que faleceu precocemente num acidente aéreo, entregou o hospital Miguel Arraes, em Paulista, a primeira grande emergência das seis que tirou do papel em oito anos. Quais as obras de infraestrutura e estruturadoras de Raquel? Não conseguiu nem entregar as centenas de creches que prometeu. Com três anos de governo, corta a fita da primeira unidade em Igarassu esta semana, antes do encerramento do ano.


Agenda de inaugurações – Na corrida contra o tempo, uma vez que será obrigado a se desincompatibilizar em abril, João tem cumprido uma extensa agenda de entrega de obras, destacando-se a reabertura da Ponte Giratória, a requalificação do Pátio da Feira do UR-4 (Ibura), a entrega de ruas no Caçote (com drenagem e pavimentação), e a inauguração de praças e intervenções do Parque Linear do Rio Pina, além de melhorias na Roque Santeiro e avanços em obras de contenção e moradia, mostrando foco em infraestrutura, mobilidade e urbanização, com investimentos significativos e modelos como PPPs para parques.


O maior parque urbano – Com as obras bem avançadas, investimento de R$ 62 milhões, o parque Governador Eduardo Campos, o maior da cidade, localizado no terreno do antigo Aeroclube, no Pina, deve ter sua primeira etapa concluída nos próximos dias. Trata-se de um grande projeto de revitalização urbana no Recife, transformando uma área ociosa em um extenso espaço público com áreas verdes, lazer, esportes e serviços (como Compaz e moradias), visando ser o maior parque urbano da cidade. É um empreendimento ambicioso para o Recife, focado em oferecer um grande pulmão verde e novos equipamentos sociais na cidade.


CURTAS


RENÚNCIA – Com a renúncia de Otto Alencar Filho (PSD-BA) ao mandato de deputado federal na última terça-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já convocou o suplente para integrar a bancada do PSD em 2026. O filho do senador Otto Alencar (PSD-BA) assumiu uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado da Bahia depois da indicação do governador Jerônimo Rodrigues (PT).


NOME PRÓPRIO – O Partido Progressistas (PP) vem cobrando publicamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por uma suposta falta de apoio à candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado e por “dificuldades de comunicação e falta de atenção a parlamentares” da sigla. Em meio a essa insatisfação, o partido ameaça lançar uma candidatura própria ao governo paulista.


LAVAREDA – Há uma grande expectativa em relação ao último podcast do ano Direto de Brasília, amanhã, com o professor e cientista político Antônio Lavareda. Convidei nomes de peso da mídia nacional. Na pauta, o quadro nacional e as eleições presidenciais do ano que vem. Imperdível!


Perguntar não ofende: Com tanta mídia e dinheiro no cofre, por que a governadora não decola?


Fonte : Blog do Magno Martins.

 
 
 

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