É a federação que decide e não Raquel
- Brito
- há 16 minutos
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No encontro que teve com o senador Ciro Nogueira (PI) e o advogado Antônio Rueda, presidentes da Federação Progressista, segunda-feira passada, em Brasília, a governadora Raquel Lyra (PSD) botou as cartas na mesa.
Jogou em favor do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), para compor uma das vagas ao Senado, já que, para a outra, fez opção pelo deputado Túlio Gadelha, que migrou da Rede para o PSD, dando uma guinada à direita.
Raquel jogou pesado. Pediu uma definição da federação em curto espaço de tempo, algo em torno de 48 horas, prazo já vencido. O jogo não é jogado como a governadora quer. Em se tratando de uma federação tão robusta, quem escolhe o nome para o Senado não é ela, mas a própria federação.
E a federação, num encontro que colocou o assunto em discussão e votação, não escolheu Miguel, mas o presidente do colegiado no Estado, deputado Eduardo da Fonte, para quem a governadora torce o nariz. Ciro vai comunicar a Raquel que o nome da federação para o Senado é o de Eduardo da Fonte.
Rueda, por sua vez, não tem falado português claro como Ciro. Soube que no encontro ficou o tempo todo calado, não defendeu nem Eduardo nem Miguel, mesmo que o grupo Coelho propague que, na condição de presidente nacional do União Brasil, tenha sido implacável na defesa de Miguel.
Se o prazo dado pela governadora, de 48 horas, já venceu sem que os caciques nacionais da federação tenham se manifestado, o impasse na chapa governista vai perdurar por mais tempo, provocando chafurdação e desagregação dentro do conjunto de forças que apoiam a reeleição da gestora.
IMEXÍVEL – Ante os dirigentes nacionais da federação, Raquel também deixou patente que a vaga de vice não está na roda das negociações, porque nunca teve planos para “queimar” Priscila Krause, que se transferiu do PSDB para o PSD a pedido da governadora. O impasse está na segunda vaga ao Senado, que, segundo Raquel disse no mesmo encontro em Brasília, teria sido solucionado muito lá atrás se o presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte, tivesse aceitado disputar o Senado junto com Miguel, ou seja, as duas vagas ocupadas pela federação.
Eduardo não é bobo – Eduardo da Fonte, segundo Raquel, ao invés de aceitar as duas vagas da federação para o Senado, uma ocupada por ele e outra por Miguel, abriu negociações para sair candidato na chapa de João Campos (PSB), o que a irritou bastante, perdendo, consequentemente, a confiança no aliado. Mas Eduardo é do ramo. Não entrou nesse jogo de Raquel porque sabe que, teoricamente, com dois nomes de centro e o mesmo perfil, as chances da governadora eleger a chapa completa se reduziriam bastante. Na medição de forças com Miguel, Eduardo levaria desvantagem, podendo o segundo senador eleito sair da chapa de João.
O topa tudo – Numa entrevista ontem, Miguel Coelho voltou a defender o registro da sua candidatura ao Senado de forma avulsa, ou seja, sem as ligações formais com a Federação Progressista exigidas por lei. Especialistas em legislação eleitoral garantem, no entanto, que essa saída desesperada do ex-prefeito de Petrolina não tem respaldo legal, uma vez que PP e UB se uniram numa federação e, consequentemente, passaram a ser um mesmo partido e não mais legendas independentes e autônomas.
A máfia do Master – A Polícia Federal fez, ontem, uma operação para investigar a atuação do publicitário Thiago Miranda, que agiu ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para intimidar a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, e outras pessoas que eram vistas como “obstáculos” pela suposta organização criminosa. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que destacou o “grau de periculosidade da organização, conferindo-lhe contornos de máfia”.
Soldado raso – Adversário figadal do grupo Coelho, o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel (PSD), que tenta uma vaga na Assembleia Legislativa, disse, ontem, numa emissora de rádio da região do Araripe, que a prerrogativa de indicar o candidato ao Senado na chapa de Raquel é da federação e não da gestora. “A federação já decidiu, por ampla maioria, em convenção estadual, que o candidato é Eduardo da Fonte”, afirmou. Com a palavra, a governadora Raquel Lyra, para quem Pimentel bate continência, igual a soldado raso.
CURTAS
MANIFESTAÇÕES 1 – Protestos em diversas localidades marcaram os últimos três dias no Grande Recife, pelo pagamento de R$ 2,5 mil às vítimas das fortes chuvas que atingiram 27 municípios da Região Metropolitana e da Zona da Mata. A Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS) informou que todas as famílias já receberam e atribuiu a insatisfação a cadastros irregulares ou feitos posteriormente pelos municípios.
MANIFESTAÇÕES 2 – “Algumas famílias que estão reclamando ou não cumpriam os critérios (para o auxílio), ou chegaram depois. Nós temos ciência desses protestos, mas foram feitos mais cadastros pelos municípios, além dos 3.500 previstos inicialmente”, justificou a secretária da SAS, Andreza Pacheco, ao recordar que o levantamento inicial foi fruto do diálogo da Defesa Civil com os municípios afetados.
COM JOÃO – Do presidente estadual do Republicanos, Sílvio Costa Filho, após manifestação da direção nacional do partido pela candidatura de Flávio Bolsonaro: “Independente da posição que a Executiva Nacional venha tomar, em Pernambuco, como sempre fizemos, estaremos votando no presidente Lula e no pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos”.
Perguntar não ofende: Para onde irá Eduardo da Fonte se Raquel insistir na opção Miguel Coelho para o Senado?
Fonte : Blog do Magno Martins.