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Vem aí a maior federação partidária

Brito
30 de dez. de 2024
4 min de leitura

É possível que na reforma ministerial que Lula fará após a eleição das novas mesas diretoras do Senado e da Câmara, no início de fevereiro, o presidente da Casa Baixa, Arthur Lira (PP-AL), seja contemplado com um gabinete para despachar na Esplanada dos Ministérios. Se isso não ocorrer, o político alagoano já tem um desafio para o novo ano que se aproxima: bater o martelo na federação PP, Republicanos e União Brasil.


Se conseguir, ganhará mais notabilidade ainda porque surgirá a maior federação partidária do País. Juntos, PP (50), Republicanos (44) e União Brasil (59) viabilizam um grupamento de 153 deputados. O plano é passar de 200 depois da janela partidária – prazo para que deputados troquem de partido sem punição, aberta em abril de 2026.


A união já é uma preparação para as eleições de 2026. Juntas, as siglas podem ter maior espaço na disputa, como tempo de televisão para propagandas gratuitas. Não há ainda uma decisão definitiva sobre a união das legendas comandadas por Ciro Nogueira (PP-PI), Antonio Rueda (União) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). Na ausência de consenso, pelo menos duas delas devem se aliar.


A maior dificuldade está no trabalho de articulação com as bases dos partidos nos estados, onde as alianças locais prevalecem e nem sempre refletem as mesmas que existem no Congresso Nacional. Se for consolidada, a federação terá impacto no cenário político em nível municipal, estadual e nacional. Pelo que se desenha até aqui, o futuro grupo político não tem planos para lançar um candidato próprio à Presidência da República.


A eventual aliança tem potencial para ser disputada por possíveis candidatos da esquerda e da direita, já que os partidos envolvidos têm articulação tanto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quanto com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).


Na federação partidária, as legendas atuam de forma unificada em todo o país. Essa atuação conjunta passa pelos desenhos eleitorais e pelos posicionamentos dentro do Congresso Nacional. Mas a união deve durar durante todo o mandato, ou seja, pelo prazo de quatro anos.


UNIÃO BRASIL, A DÚVIDA – Nos estados, há um diálogo mais próximo entre PP e Republicanos e uma dificuldade de acordo com o União Brasil. Integrantes do União resistem a uma aliança com os partidos em estados como Pernambuco, Paraíba e Amazonas. Ainda assim, a cúpula do PP não desistiu de trazer a legenda de Elmar Nascimento (PP-BA) para a federação, e avalia que o partido ainda pode selar o acordo.


Os nós estaduais – Se a super federação se consolidar, em Pernambuco a briga pelo seu controle se dará entre os deputados Eduardo da Fonte, principal liderança do PP, o ministro Sílvio Costa Filho, cacique-mor do Republicanos, e no latifúndio do União Brasil entre o deputado Mendonça Filho com o grupo Coelho. De fato, os interesses paroquiais devem atrapalhar – e muito – o projeto da união entre as três siglas. Em política, entretanto, não existem barreiras intransponíveis.


Elmar, voto vencido – Ainda magoado com Lira, por perder a indicação à presidência da Câmara para o paraibano Hugo Motta (PP), o deputado Elmar Nascimento (PP-BA) descarta que o União Brasil vai fazer parte da federação com as outras duas legendas do Centrão. “Impossível. Pelo menos da parte do União”, disse. Apesar disso, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), já disse que ressentimentos não devem atrapalhar a intenção dos partidos se unirem. De acordo com o cenário traçado por Ciro, não haverá divisões, porque Hugo Motta se consolidou como candidato único a presidente da Câmara.


Foi para o sacrifício – Reeleito pela federação PT-PV-PCdoB, o vereador Marco Aurélio Filho (PV) foi avisado de antemão que seria aproveitado no primeiro escalão, mas aliados dele disseram que alimentava expectativas na pasta de Cultura e Esportes, por ter mais estrutura e potencial político. Acabou tendo que se contentar com Direitos Humanos, área extremamente técnica. Cedeu, entretanto, para João acomodar na Câmara o primeiro suplente da federação, o petista Osmar Ricardo, irmão de Oscar Barreto, reconduzido a Meio Ambiente.


A polêmicas das câmaras – Enquanto o Estado patina na licitação para definir a empresa que cuidará das câmaras de videomonitoramento, em razão da aproximação do carnaval o prefeito do Recife, João Campos (PSB), se antecipou, oferecendo as câmaras sob o controle do município ao Estado. O sistema do Estado está desativado desde dezembro de 2023. “Espero que aquilo que interfere na vida do Recife seja bem-feito. O sistema de câmeras do Estado já está sem funcionar há mais de um ano. Não há nenhuma câmera da polícia na cidade. As nossas estão à disposição da polícia, se quiser usar, mas elas existem para atender às nossas necessidades estratégicas, como ver o trânsito, o comércio, a iluminação, a circulação de pessoas”, disse, numa recente entrevista ao DP.


CURTAS


REVIRAVOLTA – Duas surpresas nas montagens do Secretariado de prefeitos na Região Metropolitana: Izabel Urquiza (PL), que disputou a Prefeitura de Olinda, aproveitada na equipe do prefeito do Cabo, Lula Cabral (SD), e Yves Ribeiro (sem partido), que encerra seu mandato como prefeito de Paulista e vira secretário de Governo em Itapissuma.


ATO FALHO – O prefeito reeleito de Triunfo, Luciano Bonfim (PSDB), ficou extremamente desapontado com o senador Fernando Dueire (MDB). Tudo porque, além de ter apoiado o candidato derrotado por Bonfim, Dueire não destinou uma só emenda ao município. Ainda há tempo de Dueire corrigir o ato falho.


AMUPE – Ligado ao deputado federal Eduardo da Fonte, o prefeito de Aliança, Pedro Freitas (PP), confirmou, em entrevista ao Frente a Frente, que será candidato à presidência da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). Vai enfrentar Marcelo Gouveia, que disputa a reeleição. A eleição está marcada para o início de fevereiro.


Perguntar não ofende: O União Brasil vai desistir de se incorporar à super federação com o PP e Republicanos?


Fonte: Blog do Magno Martins.              

 
 
 

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