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Terezinha Nunes: A influência que Lula pode ter na eleição de Pernambuco

  • Brito
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

“É melhor um pássaro na mão do que dois voando” diz a sabedoria popular, o que acontece na política quando alguém tem possibilidade de conseguir mais votos se mantiver vários apoios, mesmo de partidos ou pessoas antagônicas, mas acaba sendo obrigado, pelas circunstâncias ou para evitar dores de cabeça, a optar por apenas um, correndo um risco que nenhum político gosta de correr que é o de perder a eleição.


Esse ditado foi citado esta semana por um deputado governista na Assembleia Legislativa, referindo-se ao pedido feito ao presidente Lula há 15 dias, pelo ex-prefeito João Campos (PSB) para ele estar mais presente em Pernambuco e ajudar a garantir a vitória da Frente Popular na eleição deste ano.


Até as pombas que costumam pousar no Palácio do Campo das Princesas, onde despacha a governadora Raquel Lyra (PSD), e no Palácio Capibaribe, onde despachava o próprio João Campos, sabem que o Palácio do Planalto trabalha para o presidente não aparecer em Pernambuco no primeiro turno da campanha e ampliar o seu percentual de votos junto a partidários da governadora e do ex-prefeito.

                                                       

Foi o próprio Lula que, em ato falho ou não, chegou a se referir a isso em evento do PT na Bahia, no início de 2025, dando como exemplo a eleição de 2006 quando subiu nos palanques de Humberto e de Eduardo Campos, uniu os dois no segundo turno e a Frente Popular elegeu Eduardo.


Dificuldade para transferir votos

É difícil saber a esta altura se Lula vai seguir a proposta de João Campos, mas nos meios políticos a possibilidade de o presidente vir ao estado ajudar o ex-prefeito provocou discussões sobre a força que ele poderia ter para estancar o crescimento recente de Raquel Lyra, que ultrapassou João na última pesquisa da Datafolha.


Um deputado estadual veterano chegou a lembrar que, embora seja imbatível em seu estado, Lula não tem sido muito exitoso na hora de transferir votos para as pessoas que apoia.


Os exemplos são muitos, apesar de em 2022 a atual senadora Teresa Leitão ter se elegido usando o slogan “senadora de Lula” em uma chapa na qual o candidato a governador do PSB, Danilo Cabral, acabou na quarta colocação não conseguindo passar para o 2º turno.


Um dos exemplos citados é o próprio PT pernambucano, que elegeu João Paulo do PT prefeito do Recife por dois mandatos e nunca mais teve condições de vencer eleições para o Executivo.

                       

O próprio Humberto Costa (PT), com apoio de Lula que veio à capital na época, acabou em terceiro lugar na eleição para prefeito do Recife em 2012, quando o vencedor foi Geraldo Júlio (PSD) e o segundo lugar ficou com Daniel Coelho (PSD).


Com Lula, Armando e João Paulo não venceram em 2014

Em 2014, após a morte de Eduardo Campos, Lula apoiou Armando Monteiro (Podemos) para governador e João Paulo para senador, mas os eleitos foram Paulo Câmara e Fernando Bezerra Coelho (MDB).


Em 2020, quando Marília Arraes (PDT) foi candidata pelo PT a prefeita do Recife e enfrentou João Campos, candidato do PSB, o apoio de Lula também não foi suficiente para dar a vitória a Marília, e João acabou eleito em um pleito no qual atacou, duramente, os petistas.


Em 2022 Marília se candidatou a governadora, venceu bem o primeiro turno – o candidato de Lula era Danilo Cabral – e no segundo turno Lula não só a apoiou como comandou uma enorme passeata no centro do Recife tentando ajudá-la. Mas foi Raquel Lyra que saiu vencedora.


O cientista político pernambucano Adriano Oliveira, da Cenário Inteligência e especialista em pesquisas qualitativas com atuação em todo o Nordeste, diz que os levantamentos realizados mostram que para grande parte dos eleitores a eleição para governador é avaliada a partir da realidade local e do desempenho da gestão estadual. Por isso, entende que nem o lulismo e nem o bolsonarismo podem reverter isso.


O que vale é o plano local

Para ele, independente de quem seja o candidato a presidente ou o presidente de mandato que apoie um nome para o Governo do Estado “governantes bem avaliados tendem a chegar mais fortes no processo eleitoral. Quando predomina a percepção de que o estado melhorou e o governador mantém elevados níveis de aprovação suas chances de sucesso eleitoral aumentam significativamente”.


Outro achado recorrente nas pesquisas qualitativas, explica, é a força do sentimento de “seguir em frente” e da percepção de que “o governador ainda tem tempo para fazer mais”.


"Quando esses sentimentos estão presentes de forma intensa no eleitorado, a oposição encontra dificuldades para construir uma narrativa de mudança e ampliar sua competitividade eleitoral."


Eleitor direcionado para entregas

A cientista política Priscila Lapa tem o mesmo pensamento de Adriano Oliveira e adverte para uma “aposta excessiva na nacionalização do pleito que pode cegar os candidatos em relação a outras estratégias”.


No seu entendimento, "os altos índices de aprovação de Raquel Lyra já mostram que o eleitor está direcionando seu olhar para as entregas locais, para aquilo que está impactando seu bem estar imediato. Possivelmente o pleito de governador será uma comparação de performances e de capacidade de gestão no âmbito local. Claro que o pano de fundo nacional, de alguma forma, influencia nessa avaliação que o eleitor faz no âmbito local, mas não invalida os tons locais que são predominantes".


Fonte : JC.


                                                                                                                                                                                                                             

 
 
 

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Brito

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