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Tadeu Alencar deixa ministério e avalia próximos passos

  • Brito
  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

Dezoito dias depois de ser nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o procurador da Fazenda Nacional Tadeu Alencar, 63 anos, deixa o cargo nesta quarta-feira (22). A exoneração, assinada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), será publicada no Diário Oficial da União (DOU) de amanhã. No fim da tarde de hoje, ele divulgou nota nas redes sociais resumindo o período em que esteve à frente da pasta.

"Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei qualquer patrocínio, visando a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos", registra o texto do agora ex-ministro, que antes ocupava a Secretaria-Executiva da pasta. 

A saída é consequência de uma articulação do PSB que contempla o ex-secretário Nacional de Justiça durante a gestão de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Paulo Henrique Rodrigues Pereira. Também filiado ao PSB, Paulo Henrique Pereira tem o apoio do ex-governador de São Paulo Márcio França, que comandava a pasta e saiu para disputar uma vaga ao Senado. O indicado também é ligado à deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), mulher do presidente nacional do PSB, João Campos, e foi o nome defendido pelo ex-prefeito do Recife junto ao presidente Lula. 

"Para mim, o melhor para o partido deveria ser o melhor para qualquer militante desse partido...  Eu não quero entrar em detalhes dessas tensões, porque elas são questões internas e que foram superadas com a decisão, uma solução política, que nós construímos", afirmou Tadeu Alencar, em entrevista à Folha de Pernambuco. 

O ex-ministro avalia agora quais serão os próximos passos. Recebeu de Alckmin convite para assessorá-lo na vice-presidência. Pode também reforçar a campanha de João Campos ao governo ou ainda voltar para a Câmara dos Deputados e ocupar uma das vagas na condição de segundo suplente do PSB. Veja os principais trechos da conversa e a íntegra da nota divulgada.


Trajetória O ministro lembrou a trajetória no governo Lula III, do qual participou desde a transição, ainda em 2022. Antes de integrar o Ministério do Empreendedorismo, ele ajudou a desenhar a atuação do Ministério da Justiça e Segurança Pública e posteriormente foi convidado pelo então ministro Flávio Dino para chefiar a Secretaria Nacional de Segurança Pública. 


“Fui Secretário Nacional de Segurança Pública, que é uma posição muito sensível, muito destacada, com um ministro que tinha uma disposição muito vigorosa de enfrentamento às organizações criminosas. Nós idealizamos lá um programa de enfrentamento às organizações criminosas que foi lançado em setembro de 2023 e depois, com a saída do ministro, naturalmente, como o convite foi dele, eu saí junto”, rememorou. 


Eduardo e Arraes

Quadro histórico do PSB, o ministro reconheceu que a projeção nacional foi resultado da atuação no governo de Eduardo Campos (2007-2014), especialmente como secretário da Casa Civil e responsável por acompanhar o programa de combate à violência Pacto Pela Vida.


“Tive a oportunidade de participar muito de perto do que Eduardo Campos fez aqui em Pernambuco. Para mim foi um prestígio, um privilégio gozar da oportunidade de trabalhar com quem eu considero o maior líder político da minha geração, que fez uma obra de fôlego em Pernambuco. Isso se deve também ao partido dele, ao meu partido, o partido de Arraes”, frisou. 


PSB

Tadeu Alencar reforçou o alinhamento com o presidente nacional do PSB, João Campos. Para ele, apesar de haver uma preferência do presidente Lula pela nomeação dos secretários-executivos nos cargos dos ministros que deixaram o governo para disputar a eleição, a sustentação do mandatário no Legislativo é que deve ser o interesse maior. 


“Embora o cargo seja uma prerrogativa exclusiva do Presidente da República, é também o espaço de indicação natural dos partidos. Se a base de um governo se expressa pelos votos no parlamento, é natural que esses partidos ajudem o governo a governar. Eu disse para o nosso presidente João Campos que estava à vontade com isso, que o que fosse melhor para o partido era como deveríamos nos conduzir”, garantiu.


Lula Ao falar sobre Lula, Tadeu Alencar reforçou que a reeleição deve exigir um esforço ainda maior que o feito em 2022, quando o presidente venceu as eleições. 


"Temos desafios muito importantes de tonificar essas políticas, mas também no plano da política, eleger o Presidente Lula vai reclamar uma aliança muito grande do campo progressista. O Presidente Alckmin cumpriu um papel determinante na abertura mais ao centro da candidatura em 2022 e certamente esse desafio agora é redobrado porque as ameaças democráticas continuam”, enfatizou Alencar. 


Coerência

Ao realizar um balanço da atuação no ministério, o político avaliou que deixa um legado de integridade. 


"Onde a gente passou, deixamos um legado de integridade e trabalho. Eu não acredito em obra de valor que não seja coletiva. Gosto daqueles que dão dimensão aos cargos que ocupam, e não daqueles que precisam dos cargos para ter dimensão. Às vezes fazemos de cada episódio uma bolha, mas devemos nos preocupar menos com o sucesso e mais com o conceito. Na política, vemos o melhor e o pior das pessoas. É entristecedor ver figuras envolvidas em negociatas, mas devemos sempre buscar trilhar o bom caminho, mesmo quando pareça minoritário, em nome da coerência”, disse. 


Vale do Catimbau

Como secretário-Executivo do Ministério do Empreendedorismo, Alencar dirigiu o projeto de desenvolvimento do Vale do Catimbau, em Buíque, no Agreste. A proposta visava impulsionar o turismo ecológico e a geração de renda na região. 

“Enxerguei uma oportunidade de preservar um parque nacional que nunca recebeu os cuidados devidos. E o que isso tem a ver com o empreendedorismo? A partir disso você desenvolve hotelaria, culinária, qualificação de pessoal, a caprinovinocultura, a vitivinicultura. Tem uma cooperativa de mulheres lá que desenvolve a exploração do ouricuri. É um projeto visionário para dar poder àquela área”, disse.


Confira a íntegra da nota divulgada por Tadeu Alencar:

A minha nomeação para Ministro do Empreendedorismo, sobre ser uma honra para qualquer servidor público de carreira, terminou por acarretar tensões no meu partido, o PSB, que são, sob todos os aspectos, indesejáveis.  É indispensável que o governo, desde logo, possa gastar a sua energia para continuar melhorando a vida da população, com inclusão e combate às desigualdades. Desta forma, conquanto se cuide de prerrogativa do Chefe do Poder Executivo, mas também espaço natural de indicação partidária, não me sinto à vontade para seguir à frente da pasta, sabendo que tal continuidade, por motivos  alheios à minha vontade e à minha pessoa, alimenta tais tensões. Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei qualquer patrocínio, visando a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos. Com responsabilidade política com o governo do qual fazemos parte, busca-se unidade e pacificação.   Ainda que como Secretário Executivo fosse natural tão honrosa investidura, critério sabiamente afirmado pelo Presidente da República, lastreada, também numa trajetória de mais de 40 anos, nas mais variadas funções, o certo é que precisamos rapidamente superar divergências e começar a trabalhar em favor do Brasil.Na administração pública é natural a nomeação e a exoneração dos cargos, por mais relevantes, dada a sua natureza mesma de transitoriedade.O importante é o que fazemos das posições de poder que ocupamos: se servimos ao coletivo ou a interesses dissociados da dura realidade do nosso povo.Saio da honrosa condição de Ministro de cabeça erguida, pois nasci num território onde os homens e mulheres sempre estiveram de pé. Se o tempo foi curto, não há problema, a vida é breve. Agradeço ao Presidente Lula tamanha distinção. Desde 2023 sirvo ao seu projeto de reconstrução e transformação do Brasil. Que o nosso PSB, de Mangabeira, de Arraes, de Eduardo Campos, de Geraldo Alckmin, de João Campos – que nos lidera em quadra tão desafiadora - de tantos que lutaram pelas franquias democráticas e contra as injustiças, tenha cada vez mais consciência da tarefa que lhe pesa sobre os ombros.Os cargos, esses são passageiros, mas o ideal, como chama que não se apaga, permanece e é ele que nos guia, sempre.
  Brasília, 21 de abril de 2026
Tadeu Alencar.

Fonte : Blog da Folha de PE.


 
 
 

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Brito

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