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Se não é nazifascismo, o que é então?

Brito
há 2 horas
4 min de leitura

Numa simples consulta aos manuais históricos das eleições mais agressivas da humanidade, as campanhas com métodos nazistas e fascistas foram centradas no uso da violência para destruir opositores. Também recorreram a táticas específicas para manipular as massas, conquistar ou se manter no poder absoluto a qualquer custo. No capítulo da desumanização das campanhas fascistas, o adversário não é visto apenas como alguém que pensa diferente, mas como um “câncer” ou “traidor” que precisa ser eliminado.


Qualquer semelhança com os métodos usados pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), na sua campanha de reeleição para se manter no poder não é mera coincidência. Para destruir João Campos (PSB), seu rival na guerra eleitoral, a governadora parece não ter limites. Primeiro, uma reportagem em rede nacional de TV Record mostrou um grande esquema de monitoramento ilegal e espionagem envolvendo a Polícia Civil da gestão de Raquel contra aliados do então prefeito do Recife.


Esta operação está sendo investigada pela Polícia Federal, a pedido do ministro Gilmar Mendes, do STF. Depois, outra reportagem da mesma emissora, exibida em agosto passado, denunciou um suposto “gabinete do ódio” operado dentro do governo de Pernambuco contra João Campos.


A Rede Record divulgou uma gravação em que um servidor estadual falava sobre um esquema de páginas e perfis em redes sociais voltado para atacar o oponente da governadora. No mesmo dia da veiculação, a administração estadual demitiu o servidor Amisadai Andrade da Silva, citado na reportagem como o principal responsável.


Já ontem, o site Metrópoles, de Brasília, denunciou que a bet Aposta Ganha, patrocinadora do São João de Caruaru, e com sede naquela cidade, financiou participantes de um grupo de WhatsApp para publicar comentários favoráveis à governadora Raquel Lyra (PSD) e atacar João Campos (PSB) nas redes sociais.


Segundo o portal, mensagens e comprovantes de Pix mostram pagamentos semanais pelo serviço. A advogada apontada como envolvida na operação também relatou ter sido procurada, em 2026, para organizar outro grupo com a mesma finalidade.


Pelo visto e diante de todas as evidências, a governadora deve ter optado por tática fascista em sua campanha de reeleição, conforme os três exemplos citados acima. O fascismo é uma tentativa de deslegitimar ou silenciar o oponente, tratado não como adversário político, mas como inimigo a ser aniquilado.


Raquel parece que se vê ameaçada diante da popularidade de João Campos e, no desespero, tem passado dos limites, segundo todas as provas exibidas nas denúncias da TV Record e do site Metrópoles. Nunca dantes na história de Pernambuco o nazismo ganhou tamanha aderência.


TIO VÍTIMA – Se Raquel não tem memória curta, deve recordar que um parente dela bem próximo, que Deus já levou, o ex-ministro Fernando Lyra, foi vítima de métodos nazifascistas na campanha de 1982, na qual o ex-senador Marcos Freire foi derrotado por Roberto Magalhães. Panfletos apócrifos foram espalhados na Região Metropolitana trazendo um suposto encontro do tio dela com a esposa de Freire em um motel. Essa história está detalhada em qualquer compêndio das eleições de 82.


A denúncia é gravíssima – A operadora central dos repasses para o grupo que agredia João Campos nas redes, a advogada Maria Eduarda Lucena (“Duda”), possui, segundo o portal Metrópoles, histórico formal de atuação junto à empresa de apostas Aposta Ganha — gigante do setor sediada justamente no berço político de Raquel Lyra e patrocinadora de peso do São João de Caruaru. O ecossistema de conexões é ainda mais entrelaçado: sócios de empresas ligadas ao esquema transitavam no grupo, e ex-servidores comissionados do Palácio do Campo das Princesas migraram para o departamento jurídico da casa de apostas.


A quem interessa? Diante desse mosaico, as perguntas deixam de ser meras conjecturas e passam a exigir respostas formais: A quem interessa essa rede de ataque em massa? Por que uma advogada ligada a uma bet em Caruaru faria Pix em troca de bombardeio contra adversários políticos? Qual a verdadeira contrapartida? A atuação de casas de apostas em patrocínios vultosos e a proximidade de seus operadores com agentes públicos exigem rigor absoluto da Justiça Eleitoral e do Ministério Público.


Só falou ao Metrópoles – Procurada pela reportagem do DP, a advogada Maria Eduarda Lucena, a Duda, disse que não comentaria sobre o caso. Ela solicitou que a reportagem enviasse seus questionamentos através do WhatsApp, mas não deu qualquer retorno até o fechamento da reportagem. Segundo o Metrópoles, a advogada afirmou ao veículo que foi “procurada por alguém” ligado ao prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), aliado da governadora e à época candidato à reeleição, para realizar o trabalho nas redes sociais. Entre janeiro de 2024 e junho deste ano, Lucena trabalhou para a “Aposta Ganha”, patrocinadora do São João de Caruaru, principal base eleitoral da governadora.


Não ia jogar a toalha – O colunista Lauro Jardim, de O Globo, revelou que o pronunciamento que Alexandre de Moraes faria ontem e que foi cancelado menos de uma hora após ter sido anunciado, não traria nem um improvável pedido de afastamento do STF. Ele também não daria explicações sobre o inexplicável — ou seja, sua relação próxima com Daniel Vorcaro, com quem trocava mensagens comprometedoras. Moraes falaria basicamente que está sendo perseguido e que em nenhum momento cometeu atos impróprios.


CURTAS


DESVIOS – A Polícia Federal suspeita que o deputado federal Mário Frias e a empresária Karina Ferreira da Gama, produtora de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, praticaram os crimes de desvio de recursos públicos federais, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documentos. Eles vêm negando irregularidades ao longo da investigação.


DECISÃO – As hipóteses são elencadas na decisão em que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que a Polícia Federal cumprisse 49 mandados de busca e apreensão para investigar suposto desvio de emendas parlamentares para o filme Dark Horse.


PECULATO – Segundo a PF, logo que a investigação foi instaurada por Dino, no final de junho, já havia “indicativos” de crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular e falsidade ideológica e uso de documento falso, emprego irregular de verbas ou rendas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.


Perguntar não ofende: Quem coordena o grupo nazifascista da campanha de Raquel?


Fonte : Blog do Magno Martins.

 
 
 

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