Reta final da eleição de Pernambuco será marcada por emoção, polarização e disputa por voto feminino

A contagem regressiva para apertar as urnas já começou. Segundo as pesquisas mais recentes, em pouco mais de uma semana, no dia 4 de outubro, os pernambucanos vão escolher entre a atual governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Empatados no mais recente levantamento da Quaest, divulgado na última quarta-feira (23), os postulantes têm dias decisivos pela frente.
Estratégias
“O que é que se faz numa campanha política? Desconstruir a imagem do adversário e reforçar a sua própria imagem”, inicia o cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Elton Gomes.
“O ex-prefeito da cidade do Recife vai tentar mostrar suas realizações e sua vinculação com o governo federal nesse contexto de hiperpolarização. A governadora, que, porquanto não seja adversária do lulismo, também não é uma aliada de primeira hora, vai querer enfatizar as suas realizações à frente do governo do estado e jogar com as capacidades da máquina nessa fase final, com as entregas que realizou ao longo do seu mandato, principalmente nesse período que antecedeu as eleições”, projeta.
A cientista política Priscila Lapa é rápida ao responder que o eleitor pernambucano deve esperar “intensidade emocional” nessa fase derradeira. O medo será a emoção condutora.
“Eu não tenho dúvida de que essa última semana terá esse investimento muito forte em provocar o medo, ansiedade, mas também a euforia daquelas candidaturas que tiveram momento na intenção de voto de explorar isso. Então, sim, de uma forma geral, a gente pode esperar muitos elementos emocionais, as últimas cartadas, partindo meio que para o ‘tudo ou nada’”, afirma.
Presidenciáveis
A nacionalização da campanha também é uma ferramenta cara. Seja pelo posicionamento, visto na aliança de João com o presidente Lula (PT), seja pelo não posicionamento, como no caso de Raquel, que ainda mantém seu voto para presidente em segredo e prefere se declarar “pernambuquista”
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A visita do presidente ao Recife, nesta sexta-feira (25), é vista por Gomes como uma “cavalaria lulista que veio socorrer o aliado em Pernambuco”. Para o professor, esse movimento não é capaz de mudar o cenário. “Como eu disse, (Raquel) tem a máquina e conseguiu explorar as vulnerabilidades da candidatura de João Campos. É alguma coisa que traz um reforço substancial para essa fase final da campanha, mas não me parece capaz de reverter a tendência segundo a qual a governadora deva ficar à frente neste primeiro turno”, avalia.
Para o cientista político e professor da UNIT Álvaro Azevedo Neto, é na hiperpolarização que nasce a estratégia de Raquel. “O eleitorado de Raquel apresenta maior sobreposição com o eleitorado de Flávio Bolsonaro, enquanto João concentra maior apoio entre eleitores de Lula. Esse desenho ajuda a explicar a cautela de Raquel em nacionalizar sua candidatura, ao mesmo tempo em que João explora de forma aberta sua identificação com Lula”, pondera.
Mulheres
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 53,64% do eleitorado pernambucano é feminino. Segundo a Quaest, o socialista abriu vantagem de nove pontos entre as mulheres desde o estudo divulgado em 8 de setembro e agora tem 43% das eleitoras. Raquel caiu quatro pontos e agora anota 34%.
Um dos principais indicadores da queda é o polêmico vídeo de 2025 em que a governadora sugere uma laqueadura sem consentimento em uma mulher. A repercussão da declaração “feriu”, segundo os especialistas, o posicionamento de Raquel entre as mulheres, mesmo com sucessivos pedidos de desculpas.
“Os dois vão tentar respectivamente fazer o seguinte: João Campos, aprofundar o episódio da laqueadura e a governadora estancar a sangria, conter o dano que foi causado por isso e desviar o foco para outros temas”, conjectura Elton.
Comunicação
As redes sociais são apontadas como o veículo mais poderoso de campanha pelos cientistas políticos. A capacidade de “personalizar” o alcance, mirando raça, gênero, faixa etária, região e hábitos, torna a estratégia mais assertiva.
Os memes, por exemplo, são aliados das campanhas de Raquel e João, segundo Elton. Mesmo assim, o professor que ministra aulas de marketing político na UFPI não exclui os outros veículos.
“Tem que ser tudo pensado em conjunto com as formas tradicionais de comunicação política, porque, numa disputa acirrada, nenhuma pequena vantagem que contribui para a vitória é irrelevante”, pontua.
Fonte : Blog da Folha de PE.



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