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Produtora de Dark Horse entra em contradição sobre destino de emendas

  • Brito
  • há 2 horas
  • 5 min de leitura

A ONG comandada por Karina Ferreira Gama, produtora do filme Dark Horse, vem entrando em contradição após ser cobrada pela Prefeitura de São Paulo a prestar contas de convênios firmados entre 2022 e 2025 a partir de verba de emendas. As diligências sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) só começaram depois que supostas irregularidades nesses contratos foram divulgadas pelo Metrópoles.


É o caso do Seminário Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora (Riefa) de 2025, que custou R$ 750 mil aos cofres públicos a partir de emenda do vereador André Santos (Republicanos). O demonstrativo financeiro fornecido pelo ICB informava a empresa Vamoz Comunicações e Eventos (de um conselheiro da entidade) como beneficiária de dois pagamentos. No entanto, as notas fiscais foram emitidas por outro fornecedor, a Continua Educação (de uma ex-assessora da Alesp).


Em outro caso, o ICB alegou à prefeitura que não conseguiu utilizar a conta bancária oficial de um termo de fomento, devido a um suposto “bloqueio/impedimento técnico operacional”. A ONG primeiro declarou que, para que o evento ocorresse, realizou todos os pagamentos com recursos próprios, oriundos de outras contas paralelas da instituição, deixando os R$ 100 mil públicos intocados.


No entanto, ao ser cobrada pela fiscalização, a ONG não enviou os extratos dessas contas paralelas, impossibilitando que a prefeitura auditasse a origem e o destino do dinheiro. O ICB enviou notas fiscais emitidas só após a vigência da parceria e do início do escrutínio público sobre os convênios e mudou sua versão: na verdade, os fornecedores ainda não receberam.


Nos dois casos, a área técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) reconheceu divergências, inconsistências, inconformidades e descumprimentos de obrigações. Mas, ao menos por enquanto, apenas recomendou a aplicação de uma advertência formal, sem qualquer outro tipo de punição à ONG, que segue contratada para instalar e manter pontos de wi-fi na periferia da cidade – serviço pelo qual recebe cerca de R$ 4,7 milhões ao mês.



A Polícia Civil suspeita que recursos desse contrato tenham ajudado a bancar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL). Nesta segunda-feira (24/8), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal tenha acesso a esses documentos.


Público modesto em evento no Mackenzie

Bancado com R$ 750 mil do orçamento municipal, o Riefa 2025 ficou inteiramente restrito ao Campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, com público modesto: apenas 385 participantes (praticamente todos estudantes universitários) assinaram a lista do evento principal, enquanto os workshops contaram com a presença de apenas 16 pessoas. Como o Metrópoles já mostrou, a transmissão ao vivo no Youtube não chegou a 2 mil visualizações, após mais de um ano no ar.


O evento também supostamente ocorreu no “metaverso”, a partir da contratação da empresa de um conselheiro da entidade, mas a ONG não atendeu ao pedido da prefeitura para entregar relatórios de acessos e métricas de tráfego que comprovassem que os usuários realmente utilizaram os ambientes virtuais criados com a verba pública. Quando cobrado pela SMIT, o ICB alegou que os dados detalhados não existem.


Para tentar comprovar a realização da meta virtual, a entidade de Karina Ferreira da Gama apresentou apenas uma captura de tela da plataforma, registrando que o ambiente virtual do projeto acumulava modestas 388 visualizações e sustentando que esses indicadores visuais das próprias interfaces constituíam a única comprovação oficial disponível no mercado.


Secretaria aponta que dificuldade de fiscalizar

Uma manifestação recente da área técnica da SMIT lista que o ICB informou em março que havia concluído a prestação de contas, disponibilizando link para acesso dos documentos, que só foram analisados em 2 de junho, horas após o Metrópoles publicar denúncias relativas ao convênio. Foi aí que a prefeitura descobriu que diversos anexos não estavam na pasta do Drive.


Depois de quase um mês de cobranças da SMIT, os documentos foram enviados entre 28 e 29 de junho. A secretaria notou que faltavam evidências de cumprimento de duas das metas, incluindo de “premiação”. O ICB descumpriu diversos prazos e a única comprovação relativa à premiação foram são três vídeos com “áudio corrompido, o que impossibilitou a análise integral e a validação das informações referentes às premiações“, segundo a secretaria.


“Embora a OSC tenha apresentado parte da documentação após as cobranças realizadas, o histórico constante dos autos evidencia a necessidade de reiteradas solicitações para obtenção dos documentos e esclarecimentos requeridos, ocasionando atraso na instrução processual e dificultando as atividades de monitoramento, fiscalização e análise da parceria. A própria defesa reconhece a ocorrência de falhas operacionais internas e de atraso no atendimento das demandas formuladas pela Administração“, avaliou a área técnica da SMIT.



Notas fiscais emitidas após fim da parceria

Também em 2025, o ICB realizou o “Rumo da Inovação na Educação e no Mercado de Trabalho” (RIEMT), custeado com R$ 100 mil oriundos de uma emenda parlamentar da vereadora Cris Monteiro (Novo). O evento também teve porte modesto: ocorreu dentro do Instituto Social Nossa Senhora de Fátima, com presença quase exclusiva de alunos desta instituição de ensino na zona norte.


Depois de dizer que não conseguiu movimentar o dinheiro da emenda e, por isso, utilizou verbas próprias para pagar as despesas, a ONG mudou a versão e passou a alegar que o objeto foi executado (o evento aconteceu), mas os fornecedores permaneciam sem receber, aguardando quitação financeira.


Pelo plano de trabalho, o ICB gastaria R$ 17 mil para transportar participantes para o evento. Sem pedir autorização prévia, a entidade de Karina Gama remanejou e gastou integralmente essa verba na rubrica de “serviços de comunicação institucional e produção audiovisual”. O ICB só enviou uma “justificativa técnica” para a alteração unilateral apenas em junho de 2026, mais de dois meses após o término da vigência da parceria – e após publicações do Metrópoles sobre o evento.


Novamente, a unidade técnica da SMIT rejeitou a defesa do ICB, na semana passada, e propôs a aplicação somente de uma advertência formal à ONG, considerando a ocultação de documentos financeiros indispensáveis e o remanejamento ilegal de rubricas.


O que dizem os envolvidos

Procurada, Karina Gama disse que a ONG “tem efetuado a prestação de contas corretamente dentro do processo administrativo normal”, sem as irregularidades que a coluna aponta. Questionada sobre a emissão de notas fiscais só após o fim da parceria e sobre a mudança de versão sobre o pagamento aos fornecedores do RIEMT, disse que “estamos em tratativas aguardando as instruções da SMIT para os esclarecimentos necessários”.


Já a prefeitura de São Paulo enviou a seguinte nota:


“A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) informa que a parceria com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) possui prestações de contas ainda em andamento, que dependem da apresentação de defesa pela OSC, sendo prematuro antecipar qualquer conclusão sobre eventuais irregularidades. Vale ressaltar que a advertência formal pode ser aplicada durante a fase de diligência, quando prevista nos termos de fomento, enquanto transcorrem a defesa da OSC e a análise pela Administração Pública.”


Fonte : Portal Metrópoles.

 
 
 

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Brito

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