O recado do eleitor do Recife

O Recife saiu da eleição deste ano deixando sinais de desgaste da esquerda para as próximas disputas. Na corrida presidencial, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro na capital foi praticamente metade da registrada em Pernambuco. O presidente venceu entre os recifenses, mas com uma distância bem menor do adversário do que no conjunto do estado.
Na disputa pelo governo, o recado foi ainda mais significativo. João Campos ficou à frente da governadora Raquel Lyra no Recife, mas com uma vantagem apertada diante do capital político que carregava. Ex-prefeito bem avaliado e reeleito em 2024 com mais de 78% dos votos válidos, João não conseguiu reproduzir uma vitória com a mesma folga em seu principal território eleitoral. São eleições diferentes, mas o resultado mostra que a cada eleição tem sua própria história.
A votação para o Senado reforça essa leitura. Marília Arraes e Humberto Costa foram os mais votados na capital, mas Mendonça Filho ficou próximo dos dois. As vantagens foram de aproximadamente quatro e três pontos percentuais, respectivamente. Diante do peso eleitoral do Recife, são diferenças que evidenciam a competitividade dos adversários do grupo que comanda a prefeitura.
O conjunto dos resultados merece atenção, sem que isso signifique decretar o fim de uma hegemonia. O campo de João e Lula continuou à frente nas três disputas na capital, mas encontrou uma resistência que não pode ser desprezada. Para o PSB e seus aliados, fica a necessidade de compreender por que a força demonstrada na última eleição municipal não se repetiu com a mesma intensidade.
O Recife deixou um alerta para 2028. As urnas não antecipam o resultado da próxima eleição municipal, mas oferecem elementos para uma disputa mais aberta. Quem governa precisará trabalhar para preservar sua força; quem pretende chegar à prefeitura encontrou motivos para acreditar que há espaço para avançar.
PERDEU EM CASA — Em resumo, foi no Recife e na Região Metropolitana que faltou a vantagem necessária para levar João Campos ao segundo turno. A região onde se esperava uma liderança hegemônica do socialista não entregou o resultado projetado. Além da capital, apenas São Lourenço da Mata deu vitória a João, com uma vantagem proporcional maior que a registrada no Recife fruto do trabalho do prefeito Vinicius Labanca.
TRABALHO DOBRADO — O prefeito Victor Marques precisará trabalhar dobrado para conquistar a reeleição em 2028. Ainda falta muito para o pleito, e o tempo joga a seu favor: há espaço para projetar o próprio nome, firmar sua identidade e imprimir seu estilo de governar, que guarda semelhanças com o de João Campos, aprovado nas urnas na última eleição municipal.
PROGANISMO — Terceiro colocado na disputa pelo Senado em Pernambuco, Mendonça Filho esteve ontem com o presidenciável Flávio Bolsonaro e assumiu a coordenação da campanha do candidato do PL no estado. O movimento reforça a retomada do protagonismo de Mendonça nas hostes da direita pernambucana.
FRASE DO DIA: “Tem que haver uma reforma do Judiciário. Sou a favor da diminuição da maioridade penal, tem que ser por PEC. O fim da reeleição também tem que ser por PEC, e é o Congresso que vai decidir se são quatro ou cinco anos [de mandato]”, disse Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente da República.
RÁPIDAS
MAIS APOIOS — Flávio Bolsonaro recebeu ontem o apoio da Federação União Progressista, do Republicanos e do Novo. O Podemos deve formalizar a adesão hoje. O candidato também conta com Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
DISSIDENTE — O deputado federal é ex-ministro Silvio Costa Filho segue com Lula no segundo turno, mesmo após o Republicanos, seu partido, declarar apoio formal a Flávio Bolsonaro.
CLIMA TENSO — A tensão toma conta do Palácio do Planalto diante da perspectiva de um segundo turno acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro. O cenário de disputa apertada aumenta a apreensão entre os aliados do presidente.
PINGA-FOGO: Como será o comportamento do eleitor do Recife neste 2º turno?
Fonte : Blog do Elielson.



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