Número de prefeitas eleitas cai nas eleições municipais de Pernambuco

Pernambuco reduz n´pumero de prefeitas eleitas Foto: Hesíodo Góes
O número de mulheres eleitas para as prefeituras de Pernambuco caiu nas eleições de 2024. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 30 prefeitas foram eleitas no estado, uma redução de cinco em relação a 2020, quando 35 mulheres ocupavam o cargo. Essa redução indica um retrocesso quantitativo no protagonismo feminino nas administrações municipais, especialmente considerando que as mulheres compõem a maioria do eleitorado em Pernambuco.
Entre as prefeitas eleitas, 15 já exerciam o mandato e conquistaram a reeleição, com destaque para gestoras de diversas regiões. Da Região Metropolitana, Professora Elcione, prefeita de Igarassu, foi reconduzida ao cargo. Na Mata, Mary Gouveia (Escada) e Dona Graça (Catende) mantiveram suas posições. No Agreste, Lucielle Laurentino foi reeleita em Bezerros, e no Sertão, Márcia Conrado, vice-presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, garantiu mais um mandato em Serra Talhada.
Um caso curioso ocorreu em Dormentes, onde Corrinha de Geomarco (PSB) foi reeleita sem concorrência, recebendo 100% dos votos. No entanto, devido à ausência de disputa, seu resultado não é contabilizado entre os mais votados.
A desigualdade na representação feminina ainda é visível em Pernambuco. Das 16.060 candidaturas registradas, apenas 5.508 eram de mulheres, sendo 86 para prefeituras e a maior parte para vagas de vereadoras. Recife exemplifica essa disparidade: das 534 candidaturas na capital, 184 foram de mulheres.
Base
Para a cientista política Priscila Lapa, essa sub-representação não pode ser atribuída apenas à proporção de eleitoras femininas, uma vez que a cultura política e a estrutura partidária têm papéis determinantes na formação e eleição de mulheres na política. “Se historicamente temos menos mulheres filiadas aos partidos e atuando na esfera pública, isso se reflete em menos mulheres participando efetivamente de maneira competitiva. A baixa presença feminina é, portanto, uma questão de base. Se você tem menos mulheres disputando, naturalmente tem menos mulheres eleitas. Essa é uma realidade que precisa ser enfrentada com mudanças estruturais e culturais profundas”, explica Priscila.
Apesar do protagonismo de algumas lideranças, as estatísticas ressaltam a necessidade de promover políticas de equidade de gênero na política estadual. Para que a representatividade acompanhe a realidade do eleitorado – onde 53,38% são mulheres – ações estruturais e culturais são essenciais, permitindo que a participação feminina cresça nas próximas eleições.
Lapa reforça ainda que mudanças significativas exigem que as mulheres ocupem espaços além de suas pautas específicas, o que ajudará a legitimar suas presenças na política.
“Ampliar a participação feminina vai além de simplesmente candidatar-se com agendas femininas; é preciso que elas ocupem posições e defendam uma diversidade de temas, demonstrando competitividade para todo o eleitorado. Esse processo demanda investimento dos partidos e de políticas públicas que ampliem o acesso das mulheres aos espaços de decisão. Somente assim, a presença feminina na política será realmente representativa do eleitorado”, ressalta a especialista.
Lista de Mulheres eleitas
Bezerros – Lucielle Laurentino (União)
Camutanga – Talita de Doda (PV)
Canhotinho – Sandra Reis (Republicanos)
Carpina – Eduarda Gouveia (Podemos)
Casinhas – Juliana de Chaparral (União)
Catende – Dona Graça (PSDB)
Cedro – Riva Bezerra (PSD)
Cortês – Fatima Borba (PSDB)
Cumaru – Zeneide Medeiros (PSB)
Dormentes – Corrinha de Geomarco (PSB)
Escada – Mary Gouveia (PL)
Floresta – Rorró Maniçoba (PP)
Iati – Camila Souza (PSB)
Ibirajuba – Izalta (PSDB)
Igarassu – Professora Elcione (PSDB)
Itapetim – Aline (PSB)
Jaqueira – Ridete Pellegrino (PSD)
Jataúba – Dra Cátia (PP)
Jupi – Rivanda (PSD)
Lagoa Grande – Catharina Garziera (PSB)
Nazaré da Mata – Aninha da Ferbom (PSDB)
Palmeirina – Delegada Thatianne (PP)
Paudalho – Paulinha da Educação (Podemos)
Ribeirão – Carol Jordão (PSB)
Serra Talhada – Márcia Conrado (PT)
Sertânia – Pollyana Abreu (PSDB)
Tacaimbó – Joelda Pereira (PSDB)
Trindade – Helbinha de Rodrigues (União)
Olinda – Mirella Almeida (PSDB)
Fonte: LeiaJá.



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