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Na última semana, só incertezas

Brito
há 7 horas
5 min de leitura

Na reta final da campanha presidencial de segundo turno, o cenário de empate técnico ainda é imprevisível, mas, na criação de fatos e em falar o que o povo quer ouvir, o presidente Lula (PT) nocauteou Flávio Bolsonaro (PL). Se isso vai garantir a reeleição do petista, são outros quinhentos.


Flávio dominou a pauta na primeira semana, com a construção de alianças com partidos do centrão que o haviam esnobado antes. Agora, veio o predomínio do presidente Lula, que coroou a reação com a foto de uma Constituição na mão após a promulgação do fim da escala 6×1.


Depois de um freio de arrumação interno e uma mudança significativa de rota, Lula saiu da letargia e conseguiu gerar uma onda a seu favor nas ruas e nas redes sociais. Nas palavras de um petista, a campanha à reeleição se assemelha a um aluno que passou o ano inteiro meio relapso na escola, ficou de recuperação e na reta final corre para tentar não ser reprovado e passar de ano.


Lula conseguiu retomar o comando da pauta tanto na agenda positiva como na negativa. No primeiro caso, além da 6×1, Lula lançou medidas para beneficiar os microempreendedores individuais (MEIs) e já conseguiu aprová-las no Congresso, contando com a ajuda dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que jogam todas as suas fichas na reeleição do presidente para também sobreviverem nos seus cargos atuais.


E agiu em outras frentes, como a pressão sobre o setor de combustíveis para repassar a desoneração anunciada na sexta-feira da semana passada, que começou a chegar nas bombas. Na agenda negativa, a campanha petista tem empurrado o bolsonarismo para a defensiva, sobretudo no tema fiscal, ao acusar Flávio e seu time de prepararem um corte de gastos que vai causar perdas para os trabalhadores e para as pessoas mais pobres do país.

O flanco foi aberto pela sinalização de corte de 1,5% do PIB em despesas no primeiro ano de governo combinada com a proximidade explícita com o argentino Javier Milei, que esteve no lançamento da campanha do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.


Apesar de acusarem os petistas de praticar fake news nesse tema, é fato que a campanha bolsonarista não detalha de onde viriam os cortes substanciais que promete (reduzir ministérios e penduricalhos passa longe de resolver o problema fiscal, e diminuir conta de juros por tirar o PT não pode ser considerado uma proposta) e tampouco anuncia explicitamente um recuo em torno da sinalização de 1,5% de redução de gastos.


HORIZONTE ALONGADO – Um dos apoiadores de Flávio, cogitado para ocupar uma pasta econômica caso ele vença, Marcelo Kayath, mostrou que a promessa só seria factível sem comprometer programas e o crescimento econômico em um horizonte mais alongado, mas ele não fala pela campanha e ninguém da cúpula bolsonarista sancionou a ideia dele. O que Flávio e seu time têm feito para tentar mitigar o problema é dizer que não haverá redução de programas sociais e que o salário mínimo terá aumento real, mas sem compromisso com um número ou desenho específico de política.


No Rali, Flávio leva vantagem – A pouco mais de uma semana do retorno dos brasileiros às urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente na disputa de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rali, ferramenta agregadora de pesquisas do jornal O Globo e do Instituto Locomotiva. O candidato do PL soma 47% das intenções de voto, enquanto o petista marca 44,8%. O Rali não busca substituir os levantamentos de cada instituto, mas aproveitar as vantagens de suas diferentes metodologias para fornecer uma leitura integrada das oscilações do comportamento do eleitorado brasileiro.


A vingança atinge o STF – Se eleito, Flávio vai aproveitar o embalo e pôr em prática os planos de “reformar” o Supremo Tribunal Federal nos primeiros meses de governo. O primeiro ato prevê o impeachment de ministros que resistiram ao projeto autocrata do pai e o condenaram por tentativa de golpe. Um espetáculo para saciar a sede de vingança, provavelmente com Jair Bolsonaro já em liberdade assistindo na primeira fila ao rolar das cabeças. O segundo propõe transferir a competência criminal do Supremo para tribunais inferiores, impedindo que o STF toque investigações envolvendo políticos. Adeus inquéritos sobre desvios de verbas parlamentares.


O rolo das big techs – Mais de 100 organizações e especialistas de 25 países divulgaram uma carta aberta em que acusam grandes empresas de tecnologia de violar regras eleitorais brasileiras. O documento pede que autoridades nacionais e organismos internacionais fiscalizem a atuação das plataformas a nove dias do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro, segundo a jornalista Mônica Bergamo. Organizada pela CTRL+Z, que denunciou a Meta para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por bloqueio de Lula no Meta AI, a carta reúne entidades como ARTICLE 19, Greenpeace, Oxfam Brasil e Global Witness, especialistas de cinco continentes e pesquisadores de universidades como USP, UFRJ, UFRGS e UnB.


Globo cria polêmica – O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi recebido em almoço, ontem, na sede da TV Globo pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. Isso no mesmo dia em que Flávio foi sabatinado na emissora pela jornalista Renata Lo Prete. Lula deu entrevista na quinta (15), mas não foi recebido antecipadamente. A coincidência causou incômodo na campanha do petista. “É muito grave que a empresa receba um candidato para visita no dia em que ele dará uma entrevista na própria emissora, e no momento de uma eleição em que a democracia está em jogo”, reagiu o ministro da Secretaria de Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira.


CURTAS


DESEJO DE VOTAR 1 – Novo recorte de pesquisa Datafolha divulgado ontem mostra que 96% do eleitorado brasileiro pretende ir votar no segundo turno das eleições, ante 1% que admite não ter a intenção de comparecer às urnas no próximo dia 25 e 3% que ainda não decidiram. Entre aqueles que declaram voto em Lula (PT), 98% afirmam que pretendem ir votar, ante 2% que dizem ainda não ter decidido.


DESEJO DE VOTAR 2 – Os números são os mesmos entre os que declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro (PL): 98% pretendem ir às urnas, contra 2% de indecisos. Já no segmento dos que declaram intenção de votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, 63% dizem pretender ir votar, 23% afirmam que não pretendem comparecer às urnas e 13% declaram não ter decidido.


SEM PUNIÇÃO – Advogados entrevistados pela Folha de São Paulo concordam em um ponto: o pacote de bondades do presidente Lula, faltando uma semana para as eleições de segundo turno, não deve gerar punição pela Justiça Eleitoral a ponto de tornar o petista inelegível por uso da máquina administrativa. Eles apontam que, na prática, a Justiça Eleitoral acaba sendo mais rigorosa com prefeitos do que com governadores e presidentes da República em ações que investigam possível abuso de poder.


Perguntar não ofende: Lula virou ou não o jogo eleitoral frente a Flávio Bolsonaro?


Fonte : Blog do Magno Martins.

 
 
 

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Brito

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