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Lula subestimou Flávio e a força do bolsonarismo

Brito
há 21 horas
4 min de leitura

Há 40 anos no jornalismo político, com atuação concentrada em Brasília, nunca cobri e presenciei uma disputa presidencial de resultado tão acirrado e imprevisível, numa escuridão sem lamparina. Ao longo desta semana, a última da campanha de segundo turno, houve uma enxurrada de pesquisas dos mais variados institutos, 98% delas com Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT).


Mas nada que nos garanta que o filho de Bolsonaro sairá eleito das urnas. Se as pesquisas chegam recheadas de todos os sabores, os palpites de jornalistas, cientistas políticos e estudiosos da matéria são muito mais díspares, verdadeiros chutômetros. Ninguém diz nada com nada, porque os percentuais de Lula e Flávio são muito próximos, às vezes empates técnicos, outras vezes empates numéricos.


O achismo virou lugar comum e ninguém tem certeza se Lula se reelege ou se perde para Flávio. Se na política houvesse lógica, a eleição seria de Flávio. Por quê? Por região, o herdeiro de Bolsonaro só não ganhou no Nordeste, santuário eleitoral do lulismo. Há um referencial histórico que diz que o candidato que ganha em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, se elege.


Flávio ganhou em Minas, São Paulo e no Rio, os três maiores colégios eleitorais. Ganhou no Sul, entre os evangélicos e nas classes C e D, além dos jovens. Mas do primeiro para o segundo turno houve uma reação de Lula, daí o imponderável. Quem ganhar será por um mínimo de votos, algo entre 1 e 2 milhões de diferença, no máximo.


Isso é o elementar, o que se ouve até entre os neófitos em política. Na verdade, Lula, que se achava imbatível, subestimou Flávio e até torceu para ser o seu adversário, achando que seria o mais fácil de ser batido. O tempo, as pesquisas e os prognósticos se encarregaram de mostrar que ele estava errado.


EXÉRCITO MANTIDO – O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vetou novas decisões que determinem a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”. “Defiro parcialmente o pedido de liminar, a fim de suspender os efeitos das decisões proferidas, ou das que venham a ser proferidas, exclusivamente nas partes em que os respectivos resultados práticos sejam a suspensão, a indisponibilização, a restrição de alcance ou de funcionalidade, ou qualquer “medida em nível de canal”, do canal cognominado “Exército do Lula”, até o julgamento do mandado de segurança ou determinação diversa”, afirmou o ministro.


Discurso do ódio – O ex-prefeito João Campos (PSB) rebateu o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) após o parlamentar realizar um ato político em Boa Viagem, na noite de quinta-feira passada, e ironizar a derrota dele para Raquel. Em resposta, afirmou que o Nordeste precisa de pessoas dispostas a trabalhar e acusou o adversário político de disseminar desinformação e discurso de ódio na região. “Quem nunca trabalhou na vida resolveu passear aqui no Nordeste e desrespeitar a nossa região. Nikolas, o Nordeste precisa de gente que trabalhe de verdade, não de quem vem de jatinho aqui de quatro em quatro anos trazer discurso de ódio, desinformação e mentira.”


Mais bondades – O presidente Lula (PT) deve enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para perdoar dívidas de empresas do setor de eventos, como casas de show, bares e restaurantes, enquadradas no Simples Nacional, nos mesmos moldes do que fez com os MEIs (microempreendedores individuais). Em outra frente, empresas de pequeno porte poderão acessar uma linha de crédito com juros reduzidos e subsidiados. Operada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a linha deverá ser lançada nos próximos dias para aplacar eventuais impactos da redução da escala de trabalho. Com o fim da 6×1, todos os empregados formais passam a ter duas folgas semanais remuneradas a partir de dezembro.


Ameaça de bomba em voo – Uma ameaça de bomba levou ao cancelamento do voo LA3045 da Latam, que partiria do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, para Congonhas, em São Paulo, na noite da última quinta-feira. Mais de 170 passageiros tiveram a viagem interrompida. Após os procedimentos de segurança, a Polícia Federal informou que nenhuma ameaça foi encontrada e que não houve elementos que justificassem prisões. O voo estava programado para decolar às 20h25 e seria realizado pelo Airbus A320neo de matrícula PR-XBX. Segundo informações publicadas pelo jornal mineiro O Tempo, a ocorrência começou depois que funcionários localizaram, no banheiro da aeronave, uma carta com ameaça de ataque à bomba.


Fim do guia eleitoral – No último dia de propaganda eleitoral gratuita na TV, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que o Brasil está melhor do que quando assumiu e defendeu a continuidade de seu projeto. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) se apresentou como a opção de mudança e pediu aos apoiadores que mobilizassem familiares e amigos para votar. A campanha de Lula também retomou críticas ao histórico do adversário e apontou riscos de cortes em programas sociais. Flávio Bolsonaro, por sua vez, não citou o petista pelo nome e encerrou sua propaganda com uma oração do Pai-Nosso.


CURTAS


SEM VOTAR – Em comunidades indígenas do Pará, a seca dos rios, as longas distâncias e a falta de transporte dificultam o acesso às urnas. Na Terra Indígena Paquiçamba, famílias ficaram sem votar no primeiro turno, mesmo após moradores organizarem viagens em carros particulares. Em outras comunidades, indígenas fazem campanhas para arrecadar dinheiro e custear o deslocamento até os locais de votação.


STF BARRA GRATUIDADE – A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, negou, ontem, um pedido apresentado pela campanha de Lula que buscava estender a gratuidade do transporte público para o sistema interestadual de passageiros no segundo turno das eleições de 2026. A coligação defendia que a decisão do STF que determinou a obrigatoriedade de transporte público gratuito nas zonas urbanas em dias de eleição deveria abranger também as linhas que atravessam divisas estaduais, incluindo linhas semiurbanas entre municípios vizinhos de estados diferentes.


PODCAST – O primeiro podcast pós-eleição, na próxima terça, traz o cientista político Rubens Figueiredo, que fará uma análise dos resultados das urnas, da nova conjuntura política nacional e dos desafios que se apresentam para o país. Entre os assuntos previstos estão a configuração das forças políticas após a disputa, o comportamento do eleitorado, a polarização e as perspectivas para as relações entre o Executivo e o Congresso Nacional.


Perguntar não ofende: Quem vai ganhar a eleição amanhã?


Fonte : Blog do Magno Martins.

 
 
 

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