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Justiça coloca em xeque pesquisas com irregularidades

  • Brito
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

As sucessivas decisões da Justiça Eleitoral suspendendo pesquisas em Pernambuco começam a produzir um efeito político e institucional que vai muito além da disputa entre candidatos: colocam sob forte desconfiança a credibilidade de levantamentos eleitorais marcados por indícios de irregularidades, inconsistências cadastrais e dúvidas sobre financiamento.


Depois da suspensão da pesquisa do instituto Veritá, em abril, a Justiça Eleitoral voltou a agir nesta semana ao determinar a retirada de circulação de um levantamento do Instituto Múltipla que colocava a governadora Raquel Lyra (PSD) na frente da disputa estadual. Na nova decisão, o TRE apontou “indícios relevantes de deficiência técnica” e inconsistências relacionadas à origem dos recursos usados para financiar a pesquisa, além de divergências sobre quem teria contratado efetivamente o levantamento.


O que chama atenção não é apenas o mérito de cada processo isoladamente, mas a repetição de problemas que deveriam ser elementares em qualquer pesquisa eleitoral séria: transparência sobre financiamento, regularidade cadastral, coerência metodológica e fidelidade das informações apresentadas à Justiça Eleitoral.


Quando esses requisitos deixam de ser observados, o debate democrático passa a conviver com uma contaminação perigosa: a utilização de números eleitorais como instrumento de influência política, e não como retrato técnico da opinião pública.


Pesquisas possuem enorme capacidade de interferência no ambiente eleitoral. Influenciam narrativas, movimentam alianças, impactam o comportamento do eleitor e ajudam a construir percepções de força ou fragilidade política.


Exatamente por isso, a legislação eleitoral brasileira estabelece regras rígidas para registro, metodologia e transparência dos levantamentos. As recentes decisões do TRE mostram que a Justiça Eleitoral tem elevado o rigor sobre esse tipo de controle.


E isso ocorre em um momento particularmente sensível, marcado pela antecipação do debate eleitoral e pelo aumento da disputa política em Pernambuco. O problema é que, a cada nova suspensão judicial, cresce também a percepção pública de que parte dessas pesquisas pode estar sendo utilizada mais como peça de guerra política e propaganda do que como instrumento técnico de informação.


O resultado disso é um desgaste para todo o sistema de pesquisas eleitorais, inclusive para os institutos sérios, que acabam atingidos pelo ambiente generalizado de desconfiança.


Mais do que beneficiar ou prejudicar determinado grupo político, decisões como essas reforçam um princípio essencial: pesquisa eleitoral não pode ser tratada como ferramenta de manipulação de expectativa ou fabricação artificial de cenários. Em democracia, números precisam ser sustentados por transparência, responsabilidade técnica e confiança pública.


JÁ GANHOU – Bastou uma pesquisa na qual Raquel aparece na frente de João pela primeira vez, como a do Datafolha de ontem, para os aliados da governadora mudarem o comportamento, até então de desconfiança em relação ao resultado da eleição. Passaram a cantar vitória antes do tempo com um tom de arrogância repugnante. O jogo, entretanto, ainda não deu o seu início.


A capital da aposta – A quatro meses das eleições, em Surubim, a capital da vaquejada, já há apostas sobre o resultado da eleição para governador e senador envolvendo tudo, de dinheiro até casa própria. Um leitor do blog contou que assistiu, ontem, a uma aposta, já casada e empenhada, no valor de R$ 1 milhão em espécie. Tem aposta também em dólar, em terrenos, carros, fazendas, cavalos de vaquejada e bois.


Operação em Jaboatão – Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, ontem, contra o presidente da Câmara Municipal do Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém (PL), e o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ribeirão Clovis Paiva (ex-PP), durante uma operação da Polícia Civil do Ceará com apoio da Polícia Civil de Pernambuco. De acordo com o delegado de Polícia Civil do Ceará Ícaro Coelho, a operação busca possíveis ligações dos dois agentes políticos com um pernambucano apontado como mandante de um duplo homicídio ocorrido em abril de 2025, na Praia do Futuro, em Fortaleza.


Ninguém votou contra – No primeiro turno da votação da PEC da redução da jornada de trabalho 6-1, na Câmara dos Deputados, quarta-feira passada, todos os deputados da bancada de Pernambuco votaram a favor da proposta, que estabelece jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias, com dois de descanso. Mais tarde, na segunda votação, o deputado Eriberto Medeiros (PSB-PE) se ausentou. Os demais integrantes da bancada pernambucana mantiveram votos favoráveis à PEC.


Dudu da Fonte bem na foto – Pelos números da pesquisa Datafolha para o Senado, entre os nomes especulados para a chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), o que melhor pontuou foi o do deputado Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação Progressista. Ele aparece com 22%. Para quem nunca disputou uma eleição majoritária, uma largada e tanto. Dudu, como é mais conhecido, tem quase o triplo das intenções de Túlio Gadelha (PSD), nome praticamente já escolhido pela governadora para entrar na briga por uma das duas vagas ao Senado.


CURTAS


TERMÔMETRO 1 – Minha charmosa e aconchegante Triunfo vira o centro político do Estado por causa da presença, no congresso dos vereadores, dos dois principais candidatos a governador: Raquel Lyra (PSD), que disputa a reeleição, e João Campos (PSB).


TERMÔMETRO 2 – A organização do evento teve o cuidado de evitar um cara a cara de Raquel com João. Pela agenda, ficou acertado que o socialista fala primeiro, logo cedo, às 8h30, e a governadora depois, por volta das 11 horas. De qualquer forma, trata-se de um ambiente para medir o termômetro eleitoral.


PODCAST – O ex-governador do Rio, Moreira Franco (MDB), aceitou meu convite para ir ao podcast Direto de Brasília da próxima terça-feira para falar sobre seu livro trazendo os bastidores da transição e o processo de redemocratização no País. A obra foi lançada em São Paulo na última segunda-feira e terá uma noite de autógrafos também no Recife por iniciativa do presidente do MDB, Raul Henry.


Perguntar não ofende: Pesquisa influencia o eleitor?


Fonte: Blog do Magno Martins.

 
 
 

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Brito

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