Flávio Bolsonaro leva ataques ao STF e propostas de segurança a ato no Recife

A defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a guerra ao crime organizado fizeram parte do discurso do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em palanque montado no Recife Antigo. A visita do senador, nesta quarta-feira (16), atraiu uma massa de apoiadores ao centro da capital. Ao lado do candidato ao Senado Mendonça Filho (PL) e do seu vice, Alfredo Gaspar (PL), Flávio fez uma investida ao Nordeste.
Concentrados no Marco Zero, apoiadores seguravam cartazes com frases como “fora Lula” e “impeachment de Moraes”. Para os que chegaram cedo e caminharam até o Cais da Alfândega, a crise no STF era assunto central, até mais comentada do que o adversário Lula da Silva (PT).
Apoiadores mostram cartazes contra STF. Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco.
STF no palanque
Flávio abriu o discurso falando do pai, Jair Bolsonaro, e emendando: “Fora Lula, fora Moraes e fora Dino. Esse Brasil precisa ser passado a limpo. Ninguém suporta mais olhar para o poder lá em Brasília e enxergar esse nojo que aconteceu ontem no nosso país”.
A referência era à sessão do Supremo, na terça-feira (15), que tinha como objetivo julgar Alexandre de Moraes pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O plenário encerrou com o ministro Flávio Dino pedindo vista do processo.
“Um show de hipocrisia, de deboche, de falta de respeito. Os ministros do Lula blindando Alexandre de Moraes. Sabe por quê, gente? Porque eles estão apostando na reeleição do Lula para tudo acabar em pizza no Supremo. Mas não vai acontecer, não, porque a gente vai vencer essa eleição no primeiro turno. Acabou para Alexandre de Moraes, acabou para Flávio Dino. Ministros militantes que não representam o Judiciário brasileiro”, inflamou o público.
Chamando Moraes e Dino de “laranjas podres”, Flávio prometeu indicar cinco ministros à Corte alinhados com o conservadorismo.
“Vou indicar pro STF cinco ministros, homens e mulheres, que sejam contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição, que não persigam mais opositores do governo. E o Brasil vai traçar uma linha e olhar pra frente, porque o STF é muito importante pro nosso Brasil, é importante para nossa democracia”, bradou.
Também associou Lula aos magistrados. “Só que os ministros do Lula não podem continuar lá. Quem tá votando em Lula tá votando em Alexandre de Moraes. Quem tá votando em Lula tá votando em Flávio Dino. E a gente não pode permitir que o Brasil continue nesse caminho errado”, continuou. Segundo o senador, Lula deve sua vitória em 2022 a Moraes.
Flávio Bolsonaro segura "facão" de brinquedo. Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco.
Guerra e castração
Na segurança pública, vestindo um colete à prova de balas por baixo da camisa, Flávio disse que, caso eleito, declararia guerra ao PCC, ao Comando Vermelho e às milícias em janeiro do ano que vem. Segundo ele, as organizações serão classificadas como grupos terroristas e “vão ficar presos o resto da vida”.
Logo depois, um apoiador entregou a Flávio um objeto que imitava um facão de brinquedo. “Atenção, você aí, estuprador, abusador de mulher e de criança, vai ter castração química para você, para aprender a nunca mais tocar numa mulher sem que ela queira”, gritou, apontando o brinquedo para cima.
A redução da maioridade penal para 16 anos completou as propostas para a segurança pública. “Porque bandido que tem 16 anos e comete crime de adulto vai responder como adulto, vai mofar na cadeia”, disse. Também prometeu reduzir para 16 anos a idade para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta fez os apoiadores vibrarem.
Assistência
Ao defender a manutenção e ampliação de programas como o Bolsa Família, Flávio prometeu expandir assistências. “Eu vou estender a mão para vocês. Vocês vão se capacitar, vocês vão se qualificar, vocês vão conseguir estudar, vão conseguir um emprego que pague melhor, vocês vão conseguir a própria empresa”, disse, prometendo aos empreendedores um “tesouraço” nos impostos.
Também citou o PIX e afirmou que o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central durante o governo de Michel Temer (MDB) foi, na verdade, ideia do seu pai.
Mendonça Filho caminha ao lado de apoiadores. Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco.
Senadores
Mendonça Filho (PL) também subiu ao palco e antecipou o tema da crise no STF: “Eu tenho coragem de botar para fora qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal, porque ninguém está acima da lei, ninguém está acima da Constituição Federal”, declarou.
Na sequência, pediu explicitamente que os eleitores não votassem em Eduardo da Fonte (PP), seu adversário na corrida pelo Senado, com quem vem trocando ataques.
“Quando o cara diz que não é de esquerda nem de direita, é porque ele é de esquerda. Votar em Mendonça Filho e votar em Eduardo da Fonte é o mesmo que tirar um voto meu. Não pode votar em Eduardo da Fonte, não. Eu tô sendo muito claro para vocês”, foi direto.
Em seguida, chamou ao palco Carlos Sant’Anna (Novo), também candidato ao Senado, e pediu votos para ele.
Agressão
Próximo do final do discurso de Mendonça, uma alteração no público chamou atenção. Uma mulher vestida com roupas vermelhas e brancas, identificada como apoiadora do PT, apareceu ferida, com um sangramento na testa, e foi levada para trás do palco. Não há informações sobre sua identidade, nem se o ferimento foi resultado de alguma agressão.
“Quem quiser praticar violência, a turma do PT, por favor, se afasta aqui, que aqui é a turma da paz”, disse Mendonça.
Deputados
Mais cedo, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, Flávio se encontrou com candidatos a deputado estadual e federal pelo PL. Abordou o endividamento das famílias, o uso de recursos públicos, propostas econômicas e a crise no STF.
A eleição para o governo de Pernambuco também entrou no discurso. Flávio, que já declarou apoio a Raquel Lyra (PSD) nas redes sociais, afirmou que vai trabalhar com qualquer candidato eleito. O principal adversário da governadora, João Campos (PSB), está alinhado com o presidente Lula.
“O que eu quero falar é que, independentemente de quem seja governador, governadora, vai ter portas abertas em Brasília, porque eu vou pensar no povo, no povo pernambucano. É assim que eu vou ser presidente da República”, declarou.
Fonte : Blog da Folha de PE.



Comentários