Debate da Globo não traz fatos novos significativos para a reta final

Com uma eleição extremamente acirrada, evidenciada pelas pesquisas eleitorais mais recentes, havia grande expectativa em torno do debate promovido pela TV Globo na noite desta terça-feira. Na reta final da campanha, o encontro era aguardado como uma das últimas oportunidades para que os candidatos produzissem algum fato capaz de interferir na dinâmica da disputa pelo Governo de Pernambuco.
O embate mais esperado era justamente entre João Campos e Raquel Lyra. Os dois protagonizaram os principais confrontos da noite, mas, ao final, não parece ter surgido um fato novo suficientemente forte para alterar, por si só, os rumos da eleição. Houve momentos de maior destaque para João e outros para Raquel. No conjunto, porém, os dois tiveram desempenhos equivalentes e conseguiram apresentar os argumentos que já vinham utilizando ao longo da campanha.
Raquel procurou reforçar sua experiência administrativa e defender as entregas realizadas pelo Governo do Estado. João rebateu esse argumento sustentando que experiência, isoladamente, não seria o fator mais relevante. O candidato apresentou os resultados obtidos durante sua passagem pela Prefeitura do Recife como demonstração de capacidade de execução e entrega.
Os ataques também tiveram espaço importante. Raquel explorou a relação do Recife com as empresas de apostas eletrônicas, lembrando a redução da alíquota do ISS incidente sobre as bets de 5% para 2%. O tema ganhou ainda mais destaque quando Ivan Moraes questionou João sobre o assunto. João afirmou ser contrário às bets e argumentou que a mudança tributária ocorreu dentro do processo de regulamentação do setor.
Outro confronto forte envolveu políticas para as mulheres. Raquel trouxe ao debate o caso de Fábio Tyrone, candidato a deputado federal pelo PSB na Paraíba, condenado por violência doméstica contra a ex-companheira Myriam Gadelha. João respondeu afirmando ter determinado a expulsão de Tyrone do partido e devolveu o ataque relembrando o vídeo em que Raquel sugeriu uma laqueadura sem consentimento em uma mulher grávida do oitavo filho. A governadora voltou a dizer que já havia pedido desculpas pelo episódio.
Curiosamente, quem parece ter conseguido ampliar sua visibilidade a partir do debate foi Ivan Moraes. Até então pouco conhecido por uma parcela expressiva do eleitorado pernambucano, Ivan conseguiu ocupar espaços importantes durante o confronto. Sua participação, especialmente nas discussões sobre as bets, gerou repercussão e crescimento nas buscas por seu nome na internet.
Esse talvez tenha sido o elemento diferente da noite: não necessariamente uma mudança na correlação de forças da eleição, mas uma exposição maior de Ivan diante de um eleitorado que pouco o conhecia.
Nesta quarta-feira, faltam quatro dias para o primeiro turno de domingo, 4 de outubro. Nesse estágio da campanha, cada movimento ganha importância. O debate da Globo ofereceu confrontos, acusações e diferenças administrativas e políticas, mas, pela repercussão observada nas primeiras horas, não apresentou um acontecimento capaz de reorganizar a disputa.
João e Raquel saíram do estúdio mantendo o confronto que já vinha marcando a eleição. E, numa disputa que chegou à última semana extremamente apertada, a definição permanece para os derradeiros dias de campanha.
Quaest – A Quaest trouxe novos números para o governo. Na estimulada, Raquel Lyra e João Campos possuem 42%, enquanto na espontânea Raquel soma 35% contra 30% de João Campos. A governadora Raquel Lyra possui 59% de aprovação. E ambos estão empatados na rejeição com 38%.
Senado – A pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (29) mostra Marília Arraes (PDT) com 19% das intenções de voto para o Senado em Pernambuco, seguida por Humberto Costa (PT), com 17%, Mendonça Filho (PL), com 10%, e Eduardo da Fonte (PP), com 7%.
Inocente quer saber – Se não houve nenhum nocaute, quem saiu no lucro do debate da Globo, João Campos ou Raquel Lyra?
Fonte : Blog do Edmar Lyra.



Comentários