Campanha de Raquel não vai bem

Movimentos dos últimos dias mostram que a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou em uma situação delicada na reta final. Reunir-se com prefeitos para cobrar engajamento foi como dar um “reset” em tudo o que foi feito até aqui e que parece não ter sido suficiente para ela se descolar de João Campos (PSB), seu principal adversário, nas pesquisas de intenção de voto.
Áudios vazados da reunião realizada no sábado passado revelaram uma candidata debilitada e altamente dependente dos aliados em um momento em que deveria mostrar vitalidade. O evento foi um desastre, com mais de 100 ausências, deputado barrado na porta e uma fala infeliz de André Teixeira, vice-presidente do PSD e primo de Raquel, cobrando que prefeitos assegurem ao menos 70% dos votos em suas cidades para que ela não precise “nem pisar” no Recife, principal reduto de João Campos.
O discurso foi contraditório, já que a própria Raquel disse, na reunião, que pretende passar os próximos dias apenas na Região Metropolitana para tentar diminuir a diferença para o oponente. Com a governadora e seu braço direito puxando a questão para lados diferentes, teve prefeito que saiu confuso.
Outros se incomodaram com o fato de a candidata à reeleição anunciar que vai deixá-los à própria sorte militando no interior. Pelo menos cinco teriam procurado João Campos logo depois. Nas redes sociais, mais confusão. Raquel vem atirando para todo lado, sem uma condução bem definida no discurso.
Já associou João Campos ao ex-governador Paulo Câmara, tentou dizer que ele elogiou as obras feitas por ela em estradas e buscou colar no adversário a responsabilidade pelo deslizamento de uma encosta que não fica nem na cidade que ele administrou, mas em Jaboatão dos Guararapes, município gerido por Mano Medeiros (PSD), aliado dela própria.
A campanha da governadora também já sofreu pelo menos duas derrotas na Justiça ao chamar João Campos de “fura-fila” e foi obrigada a retirar vídeos com esse teor das inserções de TV e das redes sociais. Ele, em contrapartida, teve autorização para manter no ar um site que faz referência ao caso do “fura-teto”, em que denuncia os supersalários de Raquel.
Mesmo numericamente à frente nas principais pesquisas, Raquel se comporta como quem vai perder, o que vem intoxicando o ânimo de prefeitos, militantes e outros aliados. Com semblante caído, foi vista caminhando sozinha em um supermercado de Caruaru, após o debate da semana passada, enquanto era abraçada por uma assessora, passando despercebida por frequentadores e funcionários.
Se o corpo fala, o da governadora está gritando, e o sintoma é um só: as coisas não vão bem.
A FURA-TETO – O Tribunal Regional Eleitoral permitiu a veiculação de conteúdo da campanha de João Campos (PSB) que questiona a remuneração recebida pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). O salário da adversária passou a fazer parte da narrativa do socialista nos últimos dias, que a acusa de ser fura-teto constitucional. João questiona o fato de Raquel receber cerca de R$ 60 mil mensais após optar pela remuneração da carreira de procuradora do Estado, em vez dos R$ 22 mil previstos para o cargo de governadora. A coligação sustenta que Raquel não poderia receber os vencimentos do cargo de origem durante o exercício do mandato. Para embasar a tese, cita o artigo 38 da Constituição Federal e afirma que a possibilidade de escolha da remuneração é prevista para prefeitos e, em determinadas situações, vereadores.
Ministros suspeitos? – Ministros aliados de Alexandre de Moraes no STF avaliam pedir a suspeição de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux no julgamento de amanhã, quando o plenário se reúne pela primeira vez para debater a crise inédita que se abateu sobre a corte. A ideia é que um deles apresente uma questão de ordem para discutir se Kassio e Fux, os dois mais fiéis aliados de André Mendonça, podem mesmo votar, diante de supostos elos de seus filhos com o Banco Master. A estratégia é fazer frente ao presidente Edson Fachin, que deixou de fora o processo que suscita abuso de autoridade e métodos ilegais por parte de Mendonça.
O que será julgado – A sessão de amanhã vai discutir eventual abertura de investigação contra Moraes, por suposto envolvimento ilícito com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por decisão da Corte. Moraes, por sua vez, pediu que seja julgado de forma conjunta um pedido apresentado por ele, no âmbito do inquérito das fake news, para abrir investigação contra Mendonça, por supostas irregularidades do ministro na condução do caso do Banco Master. Mas o presidente da corte negou e a sessão vai se deter apenas no caso Moraes.
A visão de juristas – Professor fundador da FGV Direito Rio, Álvaro Palma de Jorge avalia que Fachin, ao marcar o julgamento para avaliar a abertura de investigação contra ministros, deu um primeiro passo de uma “mudança de cultura” e sinalizou que o Supremo “está voltado para a sociedade, e não para si mesmo”.O presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), Diogo Leonardo Machado de Melo, também avalia que a sessão de amanhã é uma etapa crucial para desfazer qualquer sensação de “insegurança” e de “falta de transparência” envolvendo a atuação da Corte.
A sessão do STF no podcast – O podcast Direto de Brasília, marcado para a próxima quarta-feira, em função da sessão bombástica do STF no dia anterior, na terça, será sensacional. O ex-presidente da OAB nacional, Felipe Santa Cruz, aceitou o convite para analisar a reunião inédita da corte. Participam do debate os jornalistas José Maria Trindade, da Jovem Pam, Marcelo Tognozzi, do Poder360, Rudolfo Lago, chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília, Chico José, ex-Globo Nordeste, Arnaldo Santos, da revista Mais Nordeste em Fortaleza, e Carlos André, da Folha de Pernambuco, além do colunista Cláudio Humberto.
CURTAS
FIM DO SIGILO – O ministro Flávio Dino levantou o sigilo de todo o material da investigação da Polícia Civil de São Paulo incorporado ao caso Dark Horse, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao analisar os documentos enviados pela Justiça paulista, Dino afirmou que se fortaleceu a hipótese de um “sofisticado esquema” de desvio de recursos públicos e que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) ocuparia, “no terreno hipotético da investigação”, uma posição de liderança na suposta “arquitetura criminosa”.
LULA COM CURY – De olho em um eventual segundo turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta criar pontes com Augusto Cury (Avante). O cenário apontado pelas pesquisas indica que o psiquiatra pode ter, na disputa deste ano, um papel semelhante ao que Simone Tebet, na época no MDB, teve na eleição de 2022.
JÁ JOGOU A TOALHA? – Aliados de Fernando Haddad, candidato a governador de São Paulo pelo PT em baixa nas pesquisas, reclamam que ele anda afastado das bases e circula apenas em um núcleo restrito de auxiliares do PT. Há tempo não rola sequer reunião da coordenação geral, na qual representantes de todos os partidos da chapa discutiam os rumos.
Perguntar não ofende: Será na quinta à vinda de Lula a Pernambuco?
Fonte : Blog do Magno Martins.



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