Após autocrítica, Lula dialoga com jovens eleitos para virar votos

Lula ao lado de deputados e deputadas eleitas. Foto: Ricardo Stuckert
Algo já ficou claro nesta corrida do segundo turno: o presidente Lula (PT) começou disposto a trocar a marcha da campanha. Depois do candidato a reeleição terminar a primeira etapa do pleito atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o líder petista passou a sinalizar mudanças na comunicação e colocou as redes sociais no centro da estratégia para os próximos dias.
A mudança de tom veio acompanhada de uma autocrítica pouco comum. Nesta quarta-feira (7), Lula admitiu a aliados que a campanha do primeiro turno ficou abaixo do que esperava e chegou a classificá-la como a menos organizada de suas disputas presidenciais desde 1989. “Acho que poderíamos ter feito mais”, reconheceu durante encontro com parlamentares eleitos, em Brasília.
O diagnóstico não ficou restrito ao mandatário. Dentro do PT e entre integrantes do governo, cresceram as cobranças por uma nova estratégia de comunicação, principalmente na televisão e nas plataformas digitais. Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, está entre os nomes que passaram a ser alvo de críticas internas sobre a condução da comunicação da campanha.
Agora, porém, o relógio eleitoral corre contra qualquer tentativa de prolongar a discussão sobre o que deu errado. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha precisa transformar o diagnóstico em ação. E um dos primeiros movimentos de Lula foi justamente mirar um eleitorado que a própria campanha reconhece como estratégico: os jovens.
Foi nesse novo clima que o presidente apareceu nesta quarta-feira (7) ao lado de uma geração de políticos que chega ao Congresso com forte presença digital. Entre eles estavam a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT), de Pernambuco, e Ana Elisa (PT), eleita deputada federal por Minas Gerais e uma das novas caras do partido nas redes sociais.
Lula apareceu descontraído, sorrindo e com o celular nas mãos para gravar um vídeo no formato selfie. Longe do cenário tradicional de um pronunciamento político, a gravação traduz a tentativa de aproximar a campanha da linguagem que domina as redes e de transformar novos parlamentares em pontes com públicos que a campanha quer alcançar.
A orientação dada pelo próprio presidente foi direta: “falar com a juventude”.
A convocação faz parte de uma estratégia mais ampla para o segundo turno. A campanha passou a buscar parlamentares eleitos e lideranças com forte capacidade de mobilização digital para ampliar o alcance das mensagens do petista e tentar conquistar votos entre eleitores que não optaram por Lula ou Flávio no primeiro turno.
“Recebendo o reforço da tropa de deputadas e deputados jovens eleitos. Vamos com tudo virar voto”, escreveu a equipe do petista na legenda da publicação.
Mobilizações de estudantes
Na terça-feira (6), manifestações de universitários pró-Lula foram registradas em vários estados do país. Além disso, novas convocações começaram a aparecer nas redes sociais. A lista que circula entre estudantes, centros acadêmicos e entidades já reúne mais de 40 assembleias, plenárias e atos em 14 estados e no Distrito Federal, com atividades em instituições como USP, UFRJ, UFBA, UFMG, UFRGS, UFPA, UFAM, UFPE e UnB.
O presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Rogean Vinicius Santos Soares, está entre as lideranças que vêm divulgando a agenda.
A programação não se resume a atos de rua. Há assembleias, plenárias e reuniões para organizar os estudantes ao longo do segundo turno.
Fonte : Estadão.
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