A fantasia política do “Lula para dois” em Pernambuco
- Brito
- há 3 horas
- 6 min de leitura

Há algo de quase irônico — para não dizer fantasioso — no desejo de aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) de ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividindo seu palanque em Pernambuco. Enquanto esse cenário é ventilado nos bastidores, em Brasília avança uma engenharia política ampla e cuidadosamente desenhada entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) para estruturar palanques estaduais coesos em torno da reeleição presidencial.
Em outras palavras: enquanto alguns ainda imaginam uma exceção pernambucana, o tabuleiro nacional caminha na direção oposta. O desejo de parte do entorno político da governadora por um palanque duplo para Lula em Pernambuco esbarra em um dado concreto da política nacional, com a construção de uma aliança estruturada entre PT e PSB para organizar cerca de 17 palanques estaduais alinhados ao projeto de reeleição do presidente.
A lógica dessa articulação é simples e estratégica, com redução de conflitos internos e com concentração de forças em candidaturas capazes de sustentar politicamente o campo governista nos estados. Nesse desenho, o PSB ocupa posição central. À frente dessa engrenagem está o prefeito do Recife e presidente nacional da sigla, João Campos, que se consolidou como um dos principais articuladores da relação entre os socialistas e o Palácio do Planalto.
A partir dessa posição, Campos participa diretamente da montagem de candidaturas estaduais que servirão de base territorial ao lulismo em 2026. É justamente essa dinâmica nacional que torna pouco plausível a ideia de dois palanques lulistas em Pernambuco. A estratégia em construção privilegia arranjos claros e politicamente consistentes, evitando duplicidades que enfraqueçam a coordenação eleitoral. Em um cenário no qual a coalizão governista busca unidade para enfrentar adversários competitivos, a dispersão de apoio presidencial em um mesmo estado tende a ser vista como um luxo político que dificilmente caberia no planejamento nacional.
Minas Gerais ilustra bem o modelo que vem sendo desenhado. O PSB trabalha para atrair o senador Rodrigo Pacheco e também mantém diálogo com o presidente da Assembleia Legislativa mineira, o deputado Tadeuzinho. Um dos dois poderá liderar o palanque de Lula no estado, consolidando uma candidatura competitiva em um dos maiores colégios eleitorais do país.
Em São Paulo, o raciocínio segue a mesma lógica. Embora Lula manifeste preferência pela candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad ao governo estadual, o interesse do ministro em disputar o Senado abre espaço para uma solução encabeçada pelo PSB.
Nesse cenário surgem alternativas como o ex-governador Márcio França ou mesmo a possibilidade de filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ampliando o arco político da aliança.
Outro componente relevante dessa engrenagem é o vice-presidente Geraldo Alckmin, também filiado ao PSB. Apesar de especulações sobre a possibilidade de substituição por um nome do MDB, não há sinais concretos de que Lula esteja disposto a alterar a composição da chapa presidencial. A permanência de Alckmin reforçaria o papel estratégico dos socialistas na coalizão nacional.
Nesse contexto mais amplo, Pernambuco aparece menos como exceção e mais como parte de um mosaico político maior. A disputa entre Raquel Lyra e João Campos pelo apoio de Lula reflete tensões naturais de um campo político amplo, que reúne partidos e lideranças diversas. O próprio presidente enfrenta disputas entre aliados em vários estados do Nordeste, onde diferentes forças da base governista competem por protagonismo eleitoral. 
Ainda assim, a tendência dominante na estratégia nacional é a de evitar fragmentações. Para o PT e o PSB, a força do projeto eleitoral está justamente na capacidade de organizar palanques robustos e politicamente coerentes nos estados.
É nesse ponto que o projeto político de João Campos ganha densidade. Como dirigente nacional do PSB e potencial candidato ao governo pernambucano, ele reúne as duas dimensões que estruturam o atual momento da aliança: protagonismo regional e capacidade de articulação nacional. Caso essa lógica prevaleça, Pernambuco tende a seguir o mesmo roteiro desenhado para outros estados — um único palanque lulista, integrado à estratégia maior da coalizão.
Diante desse quadro, a ideia de um palanque dividido em Pernambuco parece menos uma hipótese política concreta e mais uma esperança cultivada nos bastidores. Uma esperança que, ao confrontar a realidade da engenharia eleitoral em curso, encontra cada vez menos espaço no tabuleiro nacional.
APOSTA DE RISCO – Sem alternativas para montar a chapa para o Senado, a governadora Raquel Lyra (PSD) já admite entre aliados apostar na reeleição do senador Fernando Dueire (MDB), suplente de Jarbas Vasconcelos, que se efetivou no mandato com a renúncia do titular. O convidou para estar mais presente na agenda de entregas de obras pelo Interior a partir de agora. Terá, entretanto, duas barreiras pela frente: atrair o MDB para a sua chapa e convencer o eleitorado a apostar num candidato que aparece com traços na pesquisa. Mesmo detentor do mandato, Dueire tem apenas 3% das intenções de voto nas pesquisas divulgadas até o momento.
Correndo por fora – Sem cabeça de chapa, ou seja, sem candidato a governador, o PL aposta na tese de que Pernambuco não elegerá dois senadores alinhados a ambas as chapas de Raquel Lyra e João Campos, que polarizam o embate para governador. “Estamos muito animados”, disse, ontem, à coluna, o deputado federal André Ferreira (PL), referindo-se à pré-candidatura do irmão Anderson Ferreira ao Senado. Na semana passada, Anderson esteve em Brasília com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, do qual recebeu o aval e apoio logístico para tentar uma das vagas ao Senado no campo bolsonarista.
Impasse no Sudeste – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tido dificuldade na montagem de palanques no Sudeste. A região tem o maior colégio eleitoral do país, com 65.493.324 de eleitores aptos a votar, segundo dados do TSE. dato. Até o momento, Lula assegurou um espaço no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo estadual, segundo levantamento do repórter Houldine Nascimento, do Poder360. O maior entrave é Minas Gerais pela resistência do senador Rodrigo Pacheco (PSD) em disputar o Palácio Tiradentes. O congressista terá de mudar de partido para contemplar Lula. O MDB e o União Brasil são duas opções de filiação.
Racha na BA e no MA – O presidente Lula está com dificuldades de unir aliados em alguns Estados.,O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) está no primeiro mandato e busca a reeleição. O PT da Bahia avalia lançar uma chapa “puro-sangue”, o que retiraria o MDB do posto de vice, atualmente ocupado por Geraldo Júnior. A chapa pura também deixaria de fora o PSD. Além de não ocupar a vaga de vice, o partido também ficaria fora da disputa ao Senado. No Maranhão, o racha entre o governador Carlos Brandão (PSB) e o ex-governador e ministro do STF, Flávio Dino, fragmentou a base lulista e abriu espaço para o crescimento da oposição.
Guilherme senador? – O que se diz em Petrolina, maior colégio eleitoral do Sertão, é que a governadora Raquel Lyra, sem opções para fechar uma chapa ao Senado, poderia convidar o ex-prefeito Guilherme Coelho para ocupar uma das vagas como representante do Sertão. Na eleição passada, Guilherme foi companheiro de Raquel na disputa ao Senado em um momento em que poucos acreditavam na eleição dela. Guilherme largou uma candidatura a deputado federal bem encaminhada para ir ao sacrifício numa majoritária. Seria um gesto gesto de Raquel com quem acreditou no projeto quando poucos acreditavam e uma forma de prestigiar o Sertão.
CURTAS
EXAMES – O presidente Lula passou o dia, ontem, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para fazer o check-up anual. De acordo com o boletim médico divulgado pela unidade hospitalar, todos os exames apresentaram resultados dentro da normalidade. A avaliação faz parte do acompanhamento periódico da saúde do presidente. De acordo com o hospital, não há previsão de novos testes no momento.
TRAVOU – Em ano de eleições no Brasil, a tendência é que o Congresso adie a análise de algumas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) para focar nos redutos eleitorais e escantear a votação para 2027. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já fez declarações sobre priorizar propostas com maior consenso e evitar temas sensíveis.
SE DOEU – A lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, criticou, ontem, a exposição da intimidade da ex-namorada de Daniel Vorcaro, Martha Graeff, com o vazamento das mensagens trocadas por eles. “A vida íntima de uma mulher está sendo dissecada, ridicularizada e consumida como entretenimento coletivo”, afirmou em seu Instagram.
Perguntar não ofende: Qual vai ser o destino de Geraldo Alckmin, se manter na vice, ou cuidar do seu sitio em Pindamonhagaba?
Fonte : Blog do Magno Martins.



Comentários